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Renato Duque pede novo interrogatório para detalhar 'meandros dos delitos'

Renato Duque pede novo interrogatório para detalhar 'meandros dos delitos'

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
30/04/2019 às 10h17 Atualizada em 30/04/2019 às 10h17
Renato Duque pede novo interrogatório para detalhar 'meandros dos delitos'
Foto: Reprodução
Renato Duque, preso desde março de 2015, já acumula condenações em oito ações penais da Lava Jato que somam penas de 121 anos, cinco meses e 23 dias de reclusão. Na decisão, o magistrado anotou que o processo "aguarda sentença há bom tempo". A denúncia foi protocolada pelo Ministério Público Federal em 27 de abril de 2015.
Bonat afirmou que "tendo em vista que agora pretende exercer a sua autodefesa, não há como obstar o seu requerimento para novo interrogatório".
Em interrogatório na ação penal, em 17 de julho daquele ano, Duque ficou em silêncio. No pedido, a defesa havia relatado ao magistrado que o ex-diretor decidiu "cooperar espontaneamente" com a Lava Jato desde 5 de maio de 2017.
Os advogados narraram que, desde então, Duque "vem exercendo em outras ações penais no âmbito da operação Lava Jato uma defesa consensual, esclarecendo os fatos e assumindo sua parcela de culpabilidade pelos atos ilícitos praticados".
Segundo os defensores, o ex-dirigente da estatal já colaborou em cinco ações penais da Lava Jato.
"Deseja ser reinterrogado por esse Juízo, a fim de cooperar na elucidação dos fatos criminosos dos quais participou ou possui conhecimento, detalhando com exatidão todos os meandros dos delitos", afirmou a defesa.
"Acredita-se que a colaboração espontânea de Renato Duque pode ser útil na elucidação de aspectos ilícitos que não foram integralmente revelados nos presentes autos e que servirão para esclarecer o papel de cada um dos denunciados na trama criminosa."
Na primeira vez em que pediu para ser interrogado de novo, Renato Duque mirou no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, o então juiz federal Sérgio Moro autorizou que o ex-diretor da Petrobras fosse ouvido pela Lava Jato em ação penal sobre irregularidades na obtenção, pela empreiteira Odebrecht, de contratos de afretamento de sondas com a Petrobras.
No depoimento, Duque declarou que Lula "tinha pleno conhecimento de tudo, tinha o comando" do esquema de corrupção instalado na estatal petrolífera. O ex-diretor relatou ao juiz federal Sérgio Moro três encontros pessoais com Lula, o último em 2014, quando a Operação Lava Jato já estava nas ruas. Lula negou que tivesse conhecimento.
Segundo o executivo, nessa reunião, Lula teria dito que a então presidente Dilma "tinha recebido informação que um ex-diretor da Petrobras teria recebido dinheiro numa conta na Suíça, da SBM".

Estadão Conteúdo