Em entrevista, André Fernandes defendeu que foi "responsável do começo ao fim" ao apresentar a denúncia e que o seu papel é encaminhar para o órgão competente todas as que chegarem ao seu gabinete. Ele chamou de "tempestade em copo d'água" as discussões na Assembleia e disse que não se sente ameaçado em ter o mandato cassado.
Vejo muito político querendo aparecer, quando a gente mexe no vespeiro fica tudo doido. Eles estão se queimando. Devem alguma coisa, têm rabo preso. Acho que estão fazendo tempestade em copo d'água e se preparem, porque vai ter mais denúncia"
Antes da entrevista, em vídeo publicado em seu canal do Youtube, André Fernandes disse que não deve satisfações do seu mandato a nenhum parlamentar porque, sustenta ele, tem imunidade parlamentar de opinião e fala, como prevê o Regimento Interno da Assembleia Legislativa.
Parte I
Em uma denúncia de três páginas protocolada na última sexta-feira (14), André Fernandes sustenta, a partir de "informações trazidas" por fontes não citadas, que Nezinho teria tido campanha eleitoral financiada pela facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em troca, segundo Fernandes, o pedetista teria o "dever" de apresentar e aprovar um projeto que "viesse a fortalecer atividade desempenhada pela facção".
No documento, Fernandes afirma que projeto de lei apresentado por Nezinho, para regulamentar jogos eletrônicos no Estado, atenderia aos interesses da facção e serviria para fortalecer a lavagem de dinheiro através do "jogo do bicho".
O objetivo da proposta, em tramitação na Casa, é tornar esporte eletrônico as atividades que fazem uso de artefatos eletrônicos e se caracterizam pela competição de dois ou mais participantes.
Nezinho argumenta que, com a evolução dos jogos e crescente adesão de usuários, os esportes eletrônicos se transformaram em assunto sério e que "alimenta uma indústria altamente lucrativa".
Curiosamente, o projeto de lei recebeu voto favorável de André Fernandes na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), no último dia 4. O deputado do PSL chamou de "mentira" e alegou que analisou apenas a constitucionalidade da matéria na CCJ, e não o mérito.
Parte II
André Fernandes, no entanto, disse nesta terça que vai apresentar uma segunda parte da denúncia, que contém fotos e vídeos. "Houve aditamento, mais provas chegaram. Assinei com o meu assessor (o documento) e vai hoje (18) para o Ministério Público. Essa outra parte contém foto e vídeo. Eu não estou indo atrás (da denúncia), estou repassando", justificou.
Diário do Nordeste