Na entrevista, uma das maiores reclamações do deputado do PSL foi pelo que considera “vazamento” do documento que entregou ao Ministério Público que, para ele, era sigiloso. Com exclusividade publicado pelo Focus, o documento com a grave acusação contra Nezinho Farias (ligação com o PCC) causou imenso alvoroço na Assembleia Legislativa. O deputado acusado negou tudo e disse que vai processar Fernandes. O clima entre o jovem deputado e os colegas da Assembleia, que já exalava azedume, piorou de vez.
Só que não houve vazamento e muito menos sigilo. Quem concede sigilo a um documento ou a uma investigação é o Procurador-Geral de Justiça. No caso, o procurador Plácido Barroso Rios. Em conversa com o Focus, o procurador disse que jamais colocou a denúncia do deputado na condição de sigilosa: “Li e vi que não havia nenhuma razão para decretar sigilo”, explica Plácido. “Sigilo é exceção. A regra geral é a publicidade”, disse o procurador.
“Tratava-se de uma acusação gravíssima, que colocava em cheque o Poder Legislativo, baseada em especulação que, ao meu ver, feneceu por não haver suporte relevante diante do que até aqui foi exposto”, sustenta o Procurador-Geral.
Agora, quem vai ter que dar mais explicações é o próprio deputado André Fernandes. Plácido relatou ao Focus que notificou o parlamentar para depor na Procuradoria na próxima quarta-feira. O objetivo é que o parlamentar preste esclarecimentos sobre a denúncia que fez e, sendo o caso, ofereça mais detalhes que possam sustentar a instauração de um procedimento de investigação criminal. “Espero que tenha algo a mais a dizer”, declarou Plácido.
Focus.jor