Em seu Twitter, Sergio Moro postou nesta quarta-feira, 24, que “pessoas com antecedentes criminais” são a “fonte de confiança daqueles que divulgaram as supostas mensagens obtidas por crime”.
O ministro não citou nomes em sua mensagem. Ao apontar para “pessoas com antecedentes criminais”, o ministro se refere ao grupo aprisionado pela PF na Operação Spoofing.
Desde junho, Moro é alvo de divulgação de diálogos a ele atribuídos com o procurador Deltan Dallagnol, pelo site The Intercept. O site afirmou que recebeu de fonte anônima o material, mas não revelou a origem. Moro nega conluio – ele e Dallagnol afirmam não reconhecer a autenticidade das conversas.
Nesta quarta-feira, os diretores do site The Intercept, Leandro Demori e Glenn Greenwald, comentaram, também no Twitter. “Está cada vez mais claro: Moro virou político em busca de um foro privilegiado pra poder falar impunemente em público as coisas que dizia antes em chats secretos”, disse Demori.
“Nunca falamos sobre a fonte. Essa acusação de que esses supostos criminosos presos agora são nossa fonte fica por sua conta. Não surpreende vindo de quem não respeita o sistema acusatório e se acha acima do bem e do mal. Em um país sério, o investigado seria você”, afirmou o jornalista, em resposta à declaração de Moro, na rede social.
Já Greenwald afirmou que Sergio Moro está “sendo Sérgio Moro – está tentando cinicamente explorar essas prisões para lançar dúvidas sobre a autenticidade do material jornalístico”.
“Mas a evidência que refuta sua tática é muito grande para que isso funcione para qualquer pessoa”, disse.
DJ diz que alertou amigo
Um dos presos na operação da Polícia Federal que investiga a invasão dos celulares do ministro da Justiça, Sergio Moro, e do procurador da República Deltan Dallagnol, o DJ de Araraquara, Gustavo Elias Santos, disse nesta quarta-feira, 24, que tem provas de que teria alertado seu amigo, Walter Delgatti Neto, também preso ontem, para “parar de mexer com isso”, em referência à telefone de autoridades.
Segundo o advogado Ariovaldo Moreira, que defende Gustavo, o cliente teria uma conversa trocada com Walter no Telegram em que alertava o amigo: “Cuidado que você pode ter problema com isso”.
Segundo o advogado, se “abrirem o Telegram vão ver que meu cliente falou (para o Walter): ‘para com isso que isso vai te dar problema”.
Estadão Conteúdo