A causa oficial da morte de Cesar Mata Pires Filho ainda não foi informada pelo hospital. Ele completaria 41 anos em setembro e estava internado desde o dia 8 de julho. Durante o depoimento, o juiz Luiz Antonio Bonat, que substituiu o ministro da Justiça, Sergio Moro, na 13ª Vara Federal de Curitiba, precisou deixar a sala de audiência e chamar a equipe médica da Justiça Federal. Em seguida, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) cuidou da transferência do empresário para uma unidade de saúde.
No dia seguinte à chegada ao Hospital Santa Cruz, em Curitiba, Cesar foi submetido a uma cirurgia para implantação de dois stents (uma espécie de endoprótese usada para desobstruir artérias). A operação foi bem-sucedida e o quadro do empresário foi considerado estável após o procedimento. A situação dele piorou nos últimos dias.
Cesar, genro do ex-senador Eunício Oliveira, era acusado de corrupção na construção de um prédio da Petrobras em Salvador. A defesa alegava que não existem provas de que o empresário tivesse cometido crimes no caso. A Lava-Jato chegou a apreender diversos bens de luxo do empresário, como cinco relógios Rolex e dois veículos Porsche Cayenne. Quando ele foi preso pela operação, a fiança custou R$ 29 milhões.
'Situação desesperadora'
Atualmente em recuperação judicial, a OAS tem acumulado sucessivas dívidas e corre risco real de falir. Interlocutores da empresa afirmam que o avanço das investigações, aliadas à crise financeira da empresa, abalaram fortemente a Cesar Filho nos últimos meses e eram fatores que teriam contribuído para seu infarto.
— Para um jovem de 40 anos, ter perdido o pai no meio de uma tempestade, ser processado pela Lava-Jato, com uma falência às portas e pressões de todos os lados, era uma situação desesperadora — afirma um deles.
O Globo