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Governadores do Nordeste moderam discurso em 1º encontro após 'paraíbas' de Bolsonaro

Governadores do Nordeste moderam discurso em 1º encontro após 'paraíbas' de Bolsonaro

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
30/07/2019 às 00h43 Atualizada em 30/07/2019 às 00h43
Governadores do Nordeste moderam discurso em 1º encontro após 'paraíbas' de Bolsonaro
Foto: Reprodução
"São águas passadas", amenizou o governador da Paraíba, João Azevedo (PSB), ao chegar à reunião do consórcio, apesar de classificar o episódio como "infeliz, extremamente infeliz". Conhecido por ser contido, o pessebista equilibrou o discurso após ter feito declarações mais fortes em entrevistas dadas nas últimas semanas, e evitou ataques direitos a Bolsonaro. "Não interessa esse tipo de disputa. Para os governadores, interessa ter uma relação republicana e de respeito, que os Estados merecem. Merecem pelo povo nordestino. E é isso que nós vamos buscar", afirmou.
"Os governadores representam, acima de tudo, a voz desse povo que exige respeito do governo federal, que, a partir de suas demandas apresentadas, quer solução para isso. E isso nós vamos buscar. A relação republicana, independente de quem esteja sentado na cadeira de presidente, ela tem que estar acima de qualquer outro tipo de relação", pregou.
O governador ainda fez piada com a situação, dizendo que iria anexar 'Paraíba' ao seu nome. "Durante a campanha, toda as vezes que eu me apresentava eu dizia que meu nome era João. Depois disso eu passei agora a ser também João Paraíba", disse Azevedo.
Presidente do Consórcio Nordeste, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), que na semana passada cancelou sua ida à cerimônia de inauguração de um aeroporto com a presença de Bolsonaro, também evitou polêmica. O petista fez questão de frisar que "a formação do consórcio não é um contraponto político ao governo federal, em hipótese alguma".
Ele foi retificado pela governadora do Rio Grande do Nordeste, Fátima Bezerra (PT), que lembrou que o bloco regional "não é (uma ideia) de agora, apesar de ser concretizada hoje (ontem)", com a assinatura, em ato simbólico, do documento que implementa o grupo oficialmente.
Costa disse ainda que o objetivo do consórcio é "dar mais sustentabilidade, mais economicidade, melhorar a gestão pública e o investimento do Nordeste" para "ajudar o Brasil" na tarefa de retomar o crescimento econômico. Sem citar Bolsonaro ou o governo federal diretamente, ele ainda disse que "não podemos ficar esperando, já que o Brasil não acena, não aponta a retomada do crescimento".
"Não era nem desejo de nenhum dos governadores, muito menos do Maranhão e da Paraíba, que neste momento nós tivéssemos com algum tipo de contraponto ou declaração pejorativa em relação ao Nordeste. Todos nós queremos ajudar para que o Brasil cresça em paz, que o Brasil possa gerar emprego. Concentrar energias nas questões políticas dilui a atenção para o problema central do Brasil, que é a economia, o emprego, a renda, que é uma vida melhor para o povo. Todo mundo aqui acha que esse debate é secundário", afirmou.

Governadores discutem pautas comuns 
A reunião do Consórcio dos Estados do Nordeste, que teve a presença de sete dos nove governadores da região, também foi a primeira após a oficialização do bloco, que teve seu CNPJ registrado nas últimas semanas. Não estiveram presentes o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), e o de Alagoas, Renan Filho (MDB), que enviaram para a agenda os seus vice-governadores Izolda Cela e Luciano Barbosa, respectivamente.
Entre as pautas do encontro, estiveram criação de uma Central de Compras para a realização de licitações conjuntas entre os estados nordestinos, a criação de um programa de formação de médicos que supra as necessidades deixadas pela extinção do programa 'Mais Médicos' pelo governo federal, a aprovação de um planejamento estratégico para os próximos 12 meses, além da organização de viagens internacionais que serão feitas pelo grupo.
Já estão previstas visitas dos governadores, em novembro, a Alemanha, Itália, Espanha e França, com o objetivo de fazer negócios com investidores em torno de obras e do turismo regional. Em seguida, ainda sem data definida, também estarão na agenda viagens à Ásia, passando por China, pelas Coreias e pela Rússia.

Estadão Conteúdo