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Em busca de privacidade, Bolsonaro se refugia em closet no Alvorada

Em busca de privacidade, Bolsonaro se refugia em closet no Alvorada

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
20/08/2019 às 01h33 Atualizada em 20/08/2019 às 01h33
Em busca de privacidade, Bolsonaro se refugia em closet no Alvorada
Foto: Reprodução
O ex-deputado Alberto Fraga, amigo de Bolsonaro desde os anos 1980, quando eram colegas na Escola de Educação Física do Exército, foi visitá-lo no local no último domingo. Ele vê a instalação como sintoma da solidão imposta pelo poder.
— Estava sozinho, completamente sozinho. Eu disse a ele que ele precisava chamar mais gente, chamar mais amigos no fim de semana — conta.
Na escrivaninha, instalada no meio do closet, Bolsonaro deixa papéis e anotações diárias. O presidente já declarou repetidas vezes que não tem o hábito de ler livros. Naquele espaço grande, em meio às roupas bem organizadas, passa horas a fio nas redes sociais.
Homem de hábitos simples, o presidente tem tentado dispensar o luxo do Palácio da Alvorada. Mesmo com a mesa de jantar servida na copa, já chegou a pegar os pratos e levar para a cozinha para jantar na mesa que os funcionários usam. Ele diz que se sente mais à vontade no local.
Quando recebeu a visita de lutadores de jiu-jítsu no Alvorada para um café da manhã, fez questão de se levantar e ir à cozinha buscar a equipe de cozinheiros para que os atletas pudessem agradecer o lanche aos profissionais.
— É o jeito dele, não é populismo para fazer marketing. Ele faz naturalmente — diz o ex-deputado federal Alberto Fraga.
Desde que assumiu o cargo, Bolsonaro diz que se sente como um “prisioneiro sem tornozeleira eletrônica”. Não é muito afeito a contemplar as obras de arte que permeiam o local, como “Fachada com oval”, de Alfredo Volpi, estimada em R$ 4 milhões.
Em março, disse a jornalistas que “viver no Alvorada é chato” e que é preciso percorrer 30 metros para chegar ao banheiro em sua casa.
Apesar do hábito de se instalar no closet, publicamente Bolsonaro tem negado o chavão da “solidão no poder” sempre que confrontado com a ideia. Em julho, em um evento com evangélicos em Brasília, ele comentou que “talvez todos que me antecederam” falaram em solidão nas primeiras semanas na Presidência.
— Acredito que essa solidão do poder venha por dois motivos. O primeiro, pelo descompromisso da lealdade ao povo brasileiro. E o segundo, pelo afastamento do nosso criador — afirmou, em referência religiosa.

O Globo