"Eu jamais apoiei ou fiz empenho pelo golpe. Aliás, muito recentemente, o jornal Folha detectou um telefonema onde o ex-presidente Lula me deu, onde ele pleiteava e depois esteve comigo para trazer o PMDB para impedir o impedimento. E eu tentei, mas a esta altura, eu confesso, que a movimentação popular era tão grande e tão intensa que os partidos já estavam mais ou menos vocacionados para a ideia do impedimento", disse Temer.
O emedebista fez referência à reportagem publicada na última semana pela Folha de S. Paulo, a qual enfraqueceu a tese do então juiz Sergio Moro e dos procuradores do Ministério Público Federal no Paraná de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria aceitado cargo de ministro da Casa Civil durante o governo Dilma para se blindar das acusações da Operação Lava Jato.
As mensagens privadas trocadas entre os procuradores mostram que Moro divulgou apenas parte dos áudios interceptados pela Polícia Federal a partir de um grampo no ex-presidente petista.
Impeachment não levou a Bolsonaro
Na entrevista, Temer foi questionado sobre a conjuntura política do país e o que levou à eleição do presidente Jair Bolsonaro (PSL) em outubro do ano passado. Para ele, não há relação entre o impeachment de Dilma Rousseff e a condução do capitão reformado à Presidência, e o Brasil passa, em diferentes momentos, por anseios onde as "pessoas querem mudar tudo."
UOL