Os dispositivos telefônicos em questão pertencem ao tenente-coronel Paulo de Tasso Marques de Paiva, comandante da unidade do Batalhão da Polícia de Meio Ambiente (BPMA) de Sobral; e ao major Francisco Marcelo Nantuã Beserra, que atuava em Tianguá pelo mesmo Batalhão.
Em documentos obtidos pelo Sistema Verdes Mares, o Ministério Público do Ceará (MPCE) afirma que a primeira extração teve tentativas frustradas por conta do sistema de segurança de dados dos celulares, modelos iPhone, o que torna "na maioria dos casos, inviável o acesso ao conteúdo dos aparelhos por meio de infiltrações tradicionais".
Os equipamentos haviam sido apreendidos durante o cumprimento da medida de busca e apreensão domiciliar, no dia 28 de março deste ano. Por causa do obstáculo técnico, o MPCE celebrou um convênio com o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
A parceria deve permitir "uma alternativa viável para o acesso aos dados telemáticos dos aparelhos celulares supracitados", afirma o documento. O juiz estadual que assina a decisão estipulou o prazo máximo de 20 dias para a realização da extração dos dados.
O advogado do major Marcelo Nantuã, Oséas de Souza Filho, declara que o celular do oficial se encontra apreendido desde março de 2019 e que cabe ao Ministério Público a responsabilidade de provar o teor das acusações contra o militar. "A defesa compreende que as acusações são improcedentes e que a instrução processual vem descortinando a inocência dos acusados", ressalta. Já a defesa do tenente-coronel Paulo de Tasso não se pronunciou sobre a decisão da Justiça nem acerca das acusações contra seu cliente.