“Recebi a notícia de que um jovem transexual estava na Delegacia de Crateús, após uma prisão em flagrante. Em conversa com a mãe do jovem, ela revelou que as condições que o filho estava eram degradantes por conta da escuridão, dos insetos, da dificuldade de banho e o medo que o jovem relatava. Fiz contato com o defensor para realizarmos uma visita ao ao local. Entendi pela narrativa que era necessário”, relembra Antônia Araújo, ouvidora do órgão.
Em vistoria realizada no último dia 26, o defensor público Augusto Rodrigues, atuante na comarca, constatou a falta de condições sanitárias, físicas e hidráulicas. "As celas não oferecem condições existenciais mínimas para os presos, porque, com exceção de uma, não possuem janelas e não há aeração adequada, o que é especialmente grave em uma cidade muito quente, como Crateús. As celas também não oferecem instalações sanitárias e o mal cheiro de fezes e urina é potencializado pela ausência desta circulação do ar", detalhou.
“O intuito da liminar é fazer com que essa transferência ocorra sem demora, já que as celas da Delegacia não estão em condições de receber presos”, acrescenta Augusto. O pedido contempla que o Estado se abstenha de manter adolescentes apreendidos nas celas da Delegacia Regional de Crateús, em qualquer hipótese. Após a reforma, também é solicitado que seja fornecida alimentação regular aos custodiados.
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