O capítulo mais recente da confusão foi escrito em fevereiro, quando o advogado e ex-vereador de Fortaleza Carlos Régis Benevides, o caçula, escreveu à Procuradoria-Geral da República duas laudas de denúncias contra os irmãos Carlos Eduardo Benevides, empresário e ex-deputado, e Mauro Filho, atual deputado federal. Sem apresentar provas, Régis disse que as autoridades podem chegar ao “maior escândalo de corrupção do Ceará”. Eduardo e Mauro classificaram a acusação como “surreal” e disseram ao Estado que o irmão busca extorqui-los.
Régis é o epicentro da crise familiar. Ele recorre a expressões como “ladrão corrupto” e “especialista em surrupiar dinheiro público” para se referir aos irmãos em vídeos na internet. O advogado afirmou que não tem interesse político e disse pretender apenas que o pai saiba a verdade antes de morrer.
O pai, no entanto, defende Eduardo e Mauro. No último dia 28 de dezembro, Mauro Benevides foi a uma delegacia do Lago Sul, em Brasília, registrar um Boletim de Ocorrência (BO) contra o próprio filho Régis por falsidade ideológica. “É um profundo constrangimento. Na minha família sempre teve uma tradição política com timbre da harmonização. Sempre procurei aglutinar em torno de uma postura correta”, disse o ex-senador.
Maria Regina de Borba Benevides, de 87 anos, mulher do ex-senador, disse estar preocupada com o destempero do caçula. “Régis é o mais novo e o que me dá trabalho. Eu não sei o que houve na cabeça dele. Eu acho que ele está com psicopatia, não está normal”, lamentou Maria Regina, com voz embargada.
Na família, os ataques são vistos como sintomas de inveja das conquistas financeiras e pessoais dos irmãos. “Como ele não tem emprego definido, tenta fazer essas coisas. Eu acho que há esse sentimento, minha mãe fala muito isso”, disse Mauro.
Estadão Conteúdo