Quem estiver precisando de uma boa organização, ou para cozinhar, lavar, cozinhar, nos chame, ou troco por alimentos como leite, arroz, feijão, ovos, porque as nossas compras estão chegando a zero, e estou muito preocupada.
Universa localizou em redes sociais pelo menos mais seis publicações parecidas com a de Silvia, em que mulheres oferecem serviços domésticos em troca de comida.
"Que opção eu tenho? Moro em uma cidade pequena, longe de Fortaleza, onde teria mais oportunidade de trabalho. Lá, a diária custa R$ 100, mas gastaria cerca de R$ 40 só de passagem. Aqui eu faxino o dia inteiro e, quando termino, me dão arroz, feijão, fralda, leite. E tem umas pessoas que dão mais R$ 20", justifica ela, que recebeu duas parcelas do auxílio emergencial do governo, no valor de R$ 600 cada um, mas precisou usar o dinheiro para fazer dois exames.
A promotora Adriana Reis Araújo, do Ministério Público do Trabalho de São Paulo e coordenadora nacional de Promoção de Igualdade de Oportunidades, que atua no combate à exclusão social e à discriminação no trabalho, através de campanhas e ações, avisa que qualquer pessoa que aceitar empregar alguém em troca de comida pode ser processada.
"A gente não pode pensar numa situação tão degradante onde está se trocando o tempo de trabalho por comida. Isso é condição de trabalho análoga à escravidão. O trabalho tem que ser remunerado de forma digna. Para isso, existe o salário mínimo, previsto em lei. Esse é o parâmetro básico", explica Adriana.
Na comunidade de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, por exemplo, a iniciativa Adote uma Diarista vem reunindo doações de cestas básicas, kits de higiene e dinheiro e distribuindo a essas mulheres. Mais de mil trabalhadoras foram beneficiadas com as cestas e os kits. Outras 170 receberam também um auxílio de R$ 300.
UOL