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Escalada de violência política nas eleições municipais já soma 82 candidatos ou militantes assassinados

Escalada de violência política nas eleições municipais já soma 82 candidatos ou militantes assassinados

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
10/11/2020 às 09h56 Atualizada em 10/11/2020 às 09h56
Escalada de violência política nas eleições municipais já soma 82 candidatos ou militantes assassinados
Foto: Reprodução

Nesta segunda-feira, Ricardo de Moura (PL), candidato a vereador em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, sofreu ataque enquanto conversava com eleitores em uma live. A transmissão captou o exato momento em que ele é alvejado por dois tiros, que atingiram, segundo a polícia, o braço e a perna direita do candidato. Moura sobreviveu ao que sua companheira de chapa, Adriana Afonso, candidata a prefeita, qualificou como “um atentado”. O autor dos disparos ainda não foi identificado. No último fim de semana, pelo menos seis ocorrências de agressões ou tentativas de homicídio contra candidatos foram registradas em todo o país, de acordo com o monitoramento do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC).

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Os episódios em sequência são um retrato da violência política que continua assolando as eleições municipais no Brasil. Somente este ano, 82 militantes e candidatos foram assassinados, indica o levantamento do pesquisador Pablo Nunes, que coordena o CESeC. Além das mortes, o estudo ainda mapeou 170 agressões de janeiro a outubro. “Não deixa de ser dramático o grau de violência contra pessoas que são mortas por defender suas bandeiras. A proximidade das eleições fez com que o número de casos aumentasse desde julho, mas os primeiros meses de 2020 já tinha sido muito violentos”, afirma o cientista político. Em 2016, segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, foram 100 mortos ao longo de todo o ano eleitoral.

“A política está contaminada pela violência e pelo crime organizado, como é o caso do Rio de Janeiro, com o fenômeno das milícias”, observa Renato Sérgio de Lima, diretor presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que vê a necessidade de regulamentação das candidaturas de policiais e agentes das forças de segurança, em maior proporção nos partidos de direita. “É legítimo que policiais se candidatem e tentem representar a categoria. O ponto de tensão é a parcela corrupta que quer se apropriar do Estado por interesses criminosos. Quando não se regulamenta o direito do policial ser candidato, cria-se um ambiente tóxico em que o interesse de representar uma categoria e o comportamento miliciano acabam se misturando.”

El País Brasil