Nesta segunda-feira, Ricardo de Moura (PL), candidato a vereador em Guarulhos, região metropolitana de São Paulo, sofreu ataque enquanto conversava com eleitores em uma live. A transmissão captou o exato momento em que ele é alvejado por dois tiros, que atingiram, segundo a polícia, o braço e a perna direita do candidato. Moura sobreviveu ao que sua companheira de chapa, Adriana Afonso, candidata a prefeita, qualificou como “um atentado”. O autor dos disparos ainda não foi identificado. No último fim de semana, pelo menos seis ocorrências de agressões ou tentativas de homicídio contra candidatos foram registradas em todo o país, de acordo com o monitoramento do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC).
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Os episódios em sequência são um retrato da violência política que continua assolando as eleições municipais no Brasil. Somente este ano, 82 militantes e candidatos foram assassinados, indica o levantamento do pesquisador Pablo Nunes, que coordena o CESeC. Além das mortes, o estudo ainda mapeou 170 agressões de janeiro a outubro. “Não deixa de ser dramático o grau de violência contra pessoas que são mortas por defender suas bandeiras. A proximidade das eleições fez com que o número de casos aumentasse desde julho, mas os primeiros meses de 2020 já tinha sido muito violentos”, afirma o cientista político. Em 2016, segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, foram 100 mortos ao longo de todo o ano eleitoral.
“A política está contaminada pela violência e pelo crime organizado, como é o caso do Rio de Janeiro, com o fenômeno das milícias”, observa Renato Sérgio de Lima, diretor presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que vê a necessidade de regulamentação das candidaturas de policiais e agentes das forças de segurança, em maior proporção nos partidos de direita. “É legítimo que policiais se candidatem e tentem representar a categoria. O ponto de tensão é a parcela corrupta que quer se apropriar do Estado por interesses criminosos. Quando não se regulamenta o direito do policial ser candidato, cria-se um ambiente tóxico em que o interesse de representar uma categoria e o comportamento miliciano acabam se misturando.”
El País Brasil