Em entrevistas divulgadas pelo Diário do Nordestes, os médicos afirmaram unanimemente que festas de fim de ano não devem ser realizadas em 2020, ou pelo menos não nos moldes tradicionais. Para o médico infectologista Ivo Castelo Branco, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (Famed/UFC), o atual cenário de crescimento dos casos de Covid-19 no Estado resulta dos danos cumulativos que feriados e eleições representaram diante da pandemia, e que as aglomerações natalinas podem se somar a eles numa segunda onda.
Na análise do infectologista Roberto da Justa, também docente da Famed/UFC, a percepção das pessoas sobre as reuniões familiares deveria ser muito clara: a de adiá-las. “Deve haver reuniões pequenas, no seu próprio grupo familiar, que já mora junto. Estamos próximos de uma vacinação, ser resiliente e esperar um pouco pode ser transformador", salienta.
O médico alerta ainda que os riscos oferecidos pelas festas poderão cruzar a fronteira e atingir 2021 em cheio.
Recomendações
Para as famílias que, mesmo diante do perigo de contaminação pelo novo coronavírus, vão manter as festas de Natal e Réveillon, é necessário dar preferência a reuniões em ambientes abertos, com grande circulação de ar, além de todas as já conhecidas medidas sanitárias.
Saúde Mental
A psicóloga Aline Damasceno reconhece o desejo das famílias de estarem reunidas na fraternidade natalina, mas observa que, diante de um período atípico, é necessário encontrar um equilíbrio entre as necessidades pessoais e a responsabilidade coletiva.
O fato de que "precisamos do outro para nos humanizar" reflete na ansiedade da população pelas festas de fim de ano, sobretudo no 2020 de pandemia e distanciamentos, segundo analisa o também psicólogo Álvaro Rebouças, professor do curso de Psicologia da Universidade de Fortaleza. Se, naturalmente, o Natal carrega nas luzes e símbolos o sentido de fraternidade e união, os próximos dias 24 e 25 de dezembro devem aflorar esses sentimentos de modo ainda mais intenso.
Diário do Nordeste