O reajuste no diesel num momento em que os caminhoneiros acreditavam ter um compromisso do governo é uma “ferramenta para agitar a greve”, segundo o assessor executivo da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Marlon Maues. A entidade vem desencorajando a greve e insistindo no diálogo com o Ministério da Infraestrutura, mas Maues conta que a insatisfação dos profissionais está muito alta.
Os caminhoneiros também protestam contra o reajuste na tabela do frete anunciada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no último dia 19 de janeiro, com um aumento médio que varia de 2,34% a 2,51%, considerado insuficiente pela categoria para cobrir os custos. Sobretudo com mais um aumento no diesel.
Liderança do setor, o caminhoneiro Alexandre Batista Patrício, o Mão Branca, ex-candidato a vereador de Paulínia (SP), conta que os colegas estão indignados e esperando uma orientação mais certeira sobre o que fazer. “Um monte de gente vai parar. Aqui em Paulínia a gente está esperando, mas a chance de adesão é grande, porque com um diesel nesse preço como é que faz para trabalhar? Não tá dando”, protesta ele, que atua no polo petroquímico da região.
A representação dos caminhoneiros é pulverizada e há lideranças mais radicais, que ameaçam uma greve “maior do que a de 2018“, no governo de Michel Temer (MDB), que só terminou quando as Forças Armadas forçaram os grevistas para fora das pistas e acostamentos. Nos grupos de aplicativos de mensagens, circulam áudios explosivos, supostamente de caminhoneiros, que chegam a convocar para “tocar fogo em carro, em ônibus”.
Metrópoles