As amostras foram coletadas entre os dias 14 e 25 de fevereiro, sendo selecionadas por critério de qualidade para análise, como explica Eduardo Ruback, pesquisador em saúde pública da Fiocruz Ceará e coordenador de Biologia Molecular da Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19. O pesquisador alerta que, diante da maior capacidade de transmissão, a nova variante “vai se sobrepor ao vírus original e ser a responsável por essa segunda onda de casos”.
“Fizemos os cortes de idade, sexo, raça/cor e localidade, mas são poucas amostras para se ter uma estatística segura detalhada. O dado principal é que temos estas variantes já circulando no Estado e, pelo retrato, em grande quantidade. Tem município que não teve nenhum caso, e outros que todas as amostras eram da nova variante”, revela.
“A ciência continua preconizado que as principais formas de segurar a contaminação são as medidas de prevenção, com distanciamento social, uso de máscaras e higiene das mãos enquanto não pudermos ter uma cobertura vacinal mínima. Medidas que permitam não levar além do limite as estruturas de saúde”, pontua o cientista da Fiocruz.
Como identificar a nova variante
Marco Krieger, vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, explica que a fundação está fazendo o mapeamento de algumas variantes genômicas que estão associadas à maior transmissibilidade do coronavírus. “Uma dessas variantes no Brasil tem uma mesma característica identificada na inglesa e da África do Sul. Desenvolvemos um teste capaz de identificar essa mutação entre muitas que existem nos genomas virais. Os dados não podem ser negligenciados, é um sinal de alerta”, frisa.
O método de “triagem rápida”, como complementa Fábio Miyajima, pesquisador da Fiocruz Ceará, não é 100% conclusivo, mas determina quais as “prováveis amostras que tenham o conjunto de mutações da nova variante, P1, o que ajuda tanto no levantamento epidemiológico como na priorização de casos que devem ser sequenciados”.