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Motociclista tem garganta perfurada por pássaro e percorre 9 km com animal no pescoço até conseguir socorro

Motociclista tem garganta perfurada por pássaro e percorre 9 km com animal no pescoço até conseguir socorro

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
29/04/2021 às 08h54 Atualizada em 29/04/2021 às 19h08
Motociclista tem garganta perfurada por pássaro e percorre 9 km com animal no pescoço até conseguir socorro
Foto: Reprodução

No local, sentindo falta de ar, ele chegou a desmaiar de dor. O incidente ocorreu no último sábado (24). Após os primeiros socorros prestados pela família, ele foi levado para atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS), que fica na própria aldeia. Lá, o pássaro foi retirado do pescoço dele. Em seguida, Eik foi levado de ambulância até a Unidade de Pronto Atendimento de Barra do Bugres.

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Eik contou que havia acabado de realizar um trabalho como artesão na cidade e retornava para a aldeia. Ele parou para aguardar a poeira baixar depois que um carro havia passado pelo local. Assim que saiu, um pássaro bicou a sua garganta — o que resultou num buraco no seu corpo. “Cheguei a desmaiar e a buscar ar”, contou.

Salvo por enfermeira
A técnica de enfermagem Elizete Ariabo Calomezore, que fez os primeiros socorros na unidade, contou que nunca tinha atendido nenhum caso parecido. “Ele puxou o pássaro [que ainda estava na garganta] e começou a sangrar pelo pescoço e pelo nariz. Fiz a limpeza e liguei para o médico, que me passou as orientações para o atendimento. Segui as orientações dele e o encaminhei, com o pássaro, para a médica de plantão avaliar de perto lá em Barra do Bugres”, contou. Segundo especialistas, este primeiro atendimento da enfermeira foi fundamental para que a situação não se agravasse.

Ariramba-preta
O biólogo Vítor Piacentini, professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que também é ornitólogo (especialista em aves), disse que o pássaro é da espécie ariramba-preta — nome científico Brachygalba lugubris. A ariramba-preta faz parte de um grupo de aves insetívoras, chamadas de arirambas, mas que também possuem outros nomes populares. Piacentini explicou que é comum que as arirambas e os beija-flores sejam tratados como "iguais", já que os dois grupos possuem bico comprido e têm plumagens brilhantes.

“Inclusive o nome cuitelo/cuitelinho é usado regionalmente pra beija-flores, e cuitelo/cuitelão para algumas arirambas. Mas as arirambas são maiores, não param no ar (nem voam pra trás), nem visitam flores. Elas utilizam o bico como uma pinça e capturam insetos no ar, saindo de um poleiro e retornando comumente pro mesmo poleiro”, explicou. Ele também classificou o incidente como “totalmente inusitado e inesperado”.

Portal G1