No final do ano passado, o Consórcio Santa Quitéria, composto pela Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e Galvani Fertilizantes, entregou ao Ibama, o novo Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), depois de ter o licenciamento ambiental arquivado pelo órgão em 2019 por sua "inviabilidade ambiental". A expectativa se volta para a análise minuciosa que será feita e a decisão que será tomada.
Entidades da sociedade civil e associações comunitárias entregaram uma solicitação ao referido instituto já neste mês, onde reivindicam "a realização de consulta livre, prévia e informada aos povos indígenas, às comunidades quilombolas e às comunidades tradicionais que podem ser afetadas pelo empreendimento"; a complementação do EIA-RIMA incluindo, entre outras, as informações sobre o licenciamento nuclear; e a realização de audiências públicas.
Moradores e movimentos populares argumentam, para tentar barrar o empreendimento, o fato de ser "um empreendimento que usa grande quantidade de água no semiárido nordestino, bem como os perigos da contaminação radioativa das águas, do solo e da dispersão de poeira e gases com metais pesados pela região".
"Se a jazida for minerada, eu não sei qual o nosso futuro. Só sei que bom não é", avalia Maria Joselenes Sena. Mais conhecida como Josy, ela integra a Cooperativa Sertaneja Cearense - Fape e vive em Lagoa do Mato. "Eu tenho medo, sinceramente, que seja um jogo de cartas marcadas", afirma o professor de história e agricultor familiar Luís Paulo Santos Sousa, a respeito da probabilidade do licenciamento ambiental ser expedido.
Em 2019, o consórcio previa investimentos de R$ 850 milhões na implantação do empreendimento, para produzir fertilizante fosfatado para a agricultura, fosfato bicálcico, para alimentação animal, e concentrado de urânio, destinado à produção de energia nas usinas nucleares brasileiras. Só de concentrado de urânio, a produção prevista era de 1.600 toneladas anuais. Na fase de operação, serão gerados 538 empregos diretos inicialmente.