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Empresária cearense proíbe entrada de homens em loja para evitar assédio contra mulheres

Empresária cearense proíbe entrada de homens em loja para evitar assédio contra mulheres

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
27/01/2022 às 15h35 Atualizada em 27/01/2022 às 15h35
Empresária cearense proíbe entrada de homens em loja para evitar assédio contra mulheres
Foto: Reprodução

Uma das formas mais recomendadas para denunciar um caso de assédio é através da Central de Atendimento à Mulher, por meio do telefone 180. Mas e quando o assédio se torna rotina? A empresária cearense Andrea Costa resolveu restringir a entrada de homens desrespeitosos em seu estabelecimento. A medida foi tomada mediante as queixas de assédios sofridas por funcionárias e modelos dentro da própria loja.

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Natural do Ceará, Andrea mora no interior de São Paulo, em São José dos Campos. Ela tem uma loja de roupas e acessórios. Na frente de sua loja, o aviso é nítido e em maiúsculo: "ATENÇÃO HOMENS! Homens por favor, colaborem com a privacidade das mulheres, esperam no banco do lado de fora da loja!".

O outro aviso diz: "ATENÇÃO HOMENS! Homens se não forem provar, esperem do lado de fora da loja!":

“Tinham homens que entravam na loja para ficar vendo as clientes vestirem as roupas. Como a loja possui um estúdio de fotos e vídeos, algumas modelos costumam frequentar o local para sessões de fotos. E esses clientes iam só para ficar olhando as modelos. Dentre os nossos produtos, está a moda praia. Era uma situação muito chata”.

A empresária conta que já teve caso em que um homem pediu para provar roupas na loja, e depois devolveu a indumentária com ejaculação. “Acredite, nós já passamos muita coisa. Nossas clientes merecem um lugar seguro”, diz.

“Às vezes, eu preciso fechar a vitrine, porque ficam muitos homens parados olhando para o vidro da loja, constrangendo as modelos, clientes e funcionárias. Barrar a entrada de homens nesse espaço é o único jeito de poder trabalhar, infelizmente”, conclui.

"Eu fiz tudo para evitar situações de assédio"

Para evitar essas situações, a empresária conta que já fez um lounge exclusivo para os homens e maridos, com TV, videogame, cerveja e uísque, mas o resultado era sempre o mesmo: assédio e constrangimentos.

“Eu fiz tudo isso para entreter os homens, mas eles nunca ficavam sentados. Eles ficavam atrás das mulheres. Quando não era depreciando o corpo das esposas, era olhando as outras clientes provarem. Já fiz ambiente estratégicos para que eles se sentem, e não tenham acesso visual ao estúdio, mas eles dizem que não querem sentar.”

O desabafo continua: “Tinha alguns deles que vinham com a esposa, depreciavam o corpo delas, não as deixavam levar nada, mas voltavam no outro dia com as amantes para comprar o que elas quisessem… Isso foi me dando um ranço inexplicável”.

O povo