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Pai denuncia racismo contra filho negro que pediu queijo disponível para degustação em shopping no Ceará

Pai denuncia racismo contra filho negro que pediu queijo disponível para degustação em shopping no Ceará

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
26/08/2022 às 14h17 Atualizada em 26/08/2022 às 14h17
Pai denuncia racismo contra filho negro que pediu queijo disponível para degustação em shopping no Ceará
Foto: Reprodução

O menino foi adotado por um casal branco. O funcionário público Nílbio Thé, pai do adolescente, disse que a mulher e os filhos passeavam pelo shopping quando resolveram passar em uma feirinha de produtos artesanais que sempre fica disponível no empreendimento. Foi quando um dos filhos passou no stand de queijos, viu pessoas degustando e quis provar também, já que gosta e entende de queijos.

"A moça foi meio rude com ele. Eles foram até um stand de queijos porque eles conheciam, sabiam que tinha degustação lá de queijos, solicitaram queijo porque eles gostam muito, eles entendem de queijo, inclusive, e a moça disse: 'eu não posso dar, você sabe disso, você não me peça porque o segurança não deixa. Ela jogou a responsabilidade em cima do segurança do shopping [...] a gente só soube disso alguns dias depois porque ele ficou super constrangido de contar isso pra gente. Ele não gosta de confusão", disse Nílbio ao g1.

Em nota, o shopping RioMar Papicu lamentou o ocorrido e disse que, ao ter o caso registrado no serviço de atendimento ao cliente, de imediato orientou o consumidor e fez a intermediação entre ele e o operador da feira, locatário do shopping e responsável pela gestão dos stands.

"É inquestionável que atos de racismo não devem ser tolerados em nenhuma esfera da sociedade. Inclusive, trabalhamos constantemente por meio de nosso comitê de inclusão e diversidade a importância do respeito a todos os que frequentam o shopping. O empreendimento segue à disposição para qualquer novo questionamento sobre a ocorrência", disse a comunicação do shopping.

O pai do adolescente alega ter ido até o shopping, pedido ao estabelecimento dados sobre a racista para que pudesse repassar à polícia, mas não conseguiu.

"A gente entrou em contato com o shopping algumas vezes, eu falei com a produtora da feira, eu falei com a dona do stand, elas me atenderam muito bem, as pessoas do shopping também me atenderam bem, mas a resolução da pessoa jurídica do shopping que alega não poder fornecer dados da agressora, da criminosa que discriminou racialmente os meus filhos, eles não dão", denuncia Nílbio.

'Ele não foi a primeira pessoa'

Quando souberam do caso, os pais do menino denunciaram à polícia como racismo e injúria racial.

"Meu filho tem que saber que a gente protege ele, que a gente não é conivente com isso não só por causa dele, mas por conta de várias outras pessoas que passam por isso todo dia. Ele não foi a primeira pessoa, mas eu queria que ele fosse a última", pontuou.

Investigações

A Polícia Civil informou, em nota, que segue investigando o caso que foi denunciado através de um boletim de ocorrência registrado no dia 23 de agosto. As investigações estão a cargo do 15º Distrito Policial (15º DP).

A população pode contribuir com as investigações repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações também podem ser encaminhadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, por onde podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia.

As informações podem ser encaminhadas ainda para o telefone (85) 3101-1137, do 15º DP. O sigilo e o anonimato são garantidos.