Focos de reiterados ataques para desacreditar resultados, os instrumentos criados para oferecer esclarecimentos aos eleitores em disputas locais e nacional entraram na mira de partidos políticos. Há quatro anos, eram 73 ações relacionadas a pesquisas eleitorais, ante ao menos 498 já ajuizadas em 2022 – um volume quase sete vezes maior.
Na Justiça Eleitoral, o número de processos cresceu em um ritmo muito mais acelerado do que a quantidade de levantamentos realizados. Enquanto no mesmo período de 2018 foram feitas 697 pesquisas, neste ano a marca já ultrapassou as 1.300 sondagens eleitorais aplicadas em todo o País, quase o dobro.
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Hoje, uma a cada 2,6 pesquisas é questionada na Justiça. As suspeitas são as mais diversas. Põem-se em xeque desde eventual falta de registro na Justiça Eleitoral a até supostos dados fraudulentos. Na avaliação do advogado constitucionalista Felippe Mendonça, doutor em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), o excesso de processos prejudica a democracia. “(A judicialização) enfraquece a lógica da segurança jurídica e a credibilidade das instituições públicas”, disse Mendonça.
No País, Progressistas (76), PSDB (72), União Brasil (70) e PT (66) foram os partidos que mais questionaram pesquisas eleitorais neste ano, o que inclui também coligações locais como autoras de processos. O Nordeste lidera, com 283 ações, e os processos de Progressistas, PSDB e União Brasil também se concentraram nesta região. Procuradas, as legendas não responderam aos questionamentos da reportagem.
Além de subsidiar eleitores com informações, as sondagens têm efeito sobre as campanhas políticas, que podem usá-las como instrumentos de marketing. Nessa corrida, partidos e candidatos não querem ficar para trás. “Muitas pesquisas são compradas por candidatos e partidos. Isso gera um comércio de execução de pesquisas feitas sem os rigores metodológicos adequados para ter resultados consistentes”, afirmou o presidente do Conselho Federal de Estatística (Confe), Mauricio Gama. “As pesquisas induzem muito o eleitorado, principalmente as grandes”, disse ele, que ponderou não questionar os levantamentos de credibilidade feitos por institutos com histórico de qualidade na aferição de intenções de voto.
Estadão Conteúdo