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Pesquisador do Datafolha é agredido com chutes e socos por bolsonarista

Pesquisador do Datafolha é agredido com chutes e socos por bolsonarista

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
22/09/2022 às 06h30
Pesquisador do Datafolha é agredido com chutes e socos por bolsonarista
Foto: Reprodução

O pesquisador, de 32 anos, ignorou a intromissão e encerrava a entrevista quando foi atingido pelas costas, fazendo com que o tablet usado na pesquisa caísse ao chão. Quando o pesquisador reagiu para se defender, ele passou a ser atacado também pelo filho do bolsonarista. Vizinhos intervieram e afastaram o agressor, mas ele entrou em sua casa e retornou empunhando uma faca do tipo peixeira. O homem foi contido pelo filho.


O caso foi registrado na delegacia da Polícia Civil de Ariranha. Rafael Bianchini e seu filho foram identificados como autores das agressões. A reportagem teve acesso ao boletim de ocorrência que apura crime de lesão corporal. A identidade da vítima está sendo preservada para segurança dela.


O pesquisador do instituto foi atendido num pronto-socorro da cidade, com ferimento na boca e dores no corpo, sendo liberado em seguida. Atingido na cabeça, nas costas e nos braços, ele passou por exame no Instituto Médico Legal (IML) e disse que buscará a punição dos responsáveis na Justiça, tanto pelas agressões como pelas ameaças que ele e seus colegas têm recebido nas ruas.

Segundo o Datafolha, relatos de pessoas que passam gritando, acusando o instituto de ser comunista ou tentando filmar os entrevistadores como forma de intimidá-los têm sido comuns. Na maior parte dos casos, as pessoas que buscam intimidar os pesquisadores se declaram como bolsonaristas ou citam o nome do presidente Jair Bolsonaro, de acordo com a diretoria do instituto.

Somente no último dia 13, o instituto de pesquisas contabilizou dez intercorrências em municípios de diferentes regiões do país, num universo de 470 pesquisadores. Houve casos nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Alagoas, Maranhão, Goiás, Pará, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Entre os casos registrados recentemente no país, em agosto, em Belo Horizonte, quatro homens perseguiram uma entrevistadora, chamando o Datafolha de comunista e esquerdista. Ela saiu correndo, caiu no chão e machucou um dos joelhos. Em Goiânia, um entrevistador chegou a ser empurrado por um homem que se identificou como bolsonarista e que disse não querer o profissional do Datafolha nas redondezas. Em um município do Rio Grande do Sul, um pesquisador foi levado para averiguação por um policial que se identificou como eleitor de Bolsonaro. Antes de chegar à delegacia, ele parou o carro e fez perguntas ao pesquisador que, na sequência, foi liberado e continuou seu trabalho em outro local.

Estadão Conteúdo