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Dia da Consciência Negra: festas organizadas por jovens reforçam a cultura e identidade do povo preto em Fortaleza

Dia da Consciência Negra: festas organizadas por jovens reforçam a cultura e identidade do povo preto em Fortaleza

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
19/11/2022 às 10h01 Atualizada em 19/11/2022 às 10h01
Dia da Consciência Negra: festas organizadas por jovens reforçam a cultura e identidade do povo preto em Fortaleza
Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Em razão do Dia da Consciência Negra, celebrado neste domingo (20), o g1 apresenta as três festas, idealizadas e produzidas por pessoas negras de Fortaleza. Elas, inclusive, dividem-se em mais de uma produção, como a “DJ Lolost”, jovem de 29 anos envolvida na Crioula e Numalaje.

“É política, é empreendimento, é fonte de renda, para além da diversão”, declarou a DJ.

Ela avalia que produzir eventos como estes também ajuda a colocar outras pessoas negras em posição de protagonista. “Não adianta eu querer estar lá no topo e não querer levar meu irmãozinho, minha irmãzinha comigo. É óbvio que eu vou querer levar também. É isso que a Crioula quer. Não só ter esses espaços, mas também ocupar esses espaços e fazer criar mais espaço”, disse.

O pensamento é reverberado por Eduardo Ribeiro, ou “Dudu”, como é conhecido o DJ e idealizador da Numalaje. “A festa é pensada também em valorizar a cultura regional, a cultura nacional, e tentar levar as pessoas que fazem arte aqui na nossa cidade também para uma outro patamar”, explicou.


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“A gente tem como maior foco levar essas pessoas para diversos ambientes aqui na nossa cidade — e quem sabe fora delas futuramente; levar também os sons que estão atualmente dentro da periferia, que estão sendo marginalizados, para outros ambientes e outras pessoas, outros públicos”, diz Dudu.


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“Essas ações são necessárias para que possamos, ir além, nos sentirmos confortáveis em ambientes diferentes da nossa realidade. Além do nosso bairro, além da nossa casa, além da nossa escola”, complementou.

A ideia de traçar essas estratégias por meio da ludicidade de festas, eventos e músicas não é à toa, como explica Lohr Mesquita, conhecido nos eventos como “DJ Viúva Negra”, um dos responsáveis pela Charme 2000. “Acredito que nós enquanto pessoas pretas, e principalmente pessoas de periferia, somos atravessadas por sonoridades diversas”, disse.

“Já tem nomes, inclusive, que começaram em outras festas que a gente produz e que hoje estão aí como residentes de casas. Então, acho importante que a gente crie esse laço para, além de ser só uma festa, mas que vire um espaço de atravessamento político através da música, através da geração de uma oportunidade para novas pessoas pretas tocarem, pessoas que não tiveram acesso”, complementou.

Interseccionalidade de pautas

Além da pauta racial, os produtores destas festas também tocam em assuntos como classe, gênero e sexualidade — em uma perspectiva em que todos os grupos marginalizados precisam de espaços onde o cenário possa ser revertido.

“A Crioula é LGBTQIAP+. A gente também sempre busca estar abrindo espaço para novas pessoas pretas iniciarem também como DJ. A gente sempre convida porque a gente também acha importante, sabe? Não só a gente está nesse espaço, mas também levar mais pessoas junto com a gente. Quanto mais, melhor”, explicou a DJ Lolost.

“A Numalaje surge de três pessoas que compartilhavam dos mesmos princípios e das mesmas vontades; de estar em um ambiente com pessoas que fossem semelhantes, onde nos sentíssemos confortáveis em chegar, dançar e sermos nós mesmos”, declarou Dudu Ribeiro.

Ser, estar e se sentir à vontade em locais onde a cor da pele, a roupa e os acessórios não são motivos de julgamento são algumas das principais metas desses eventos.

“Desde que eu me entendo enquanto DJ da cidade, DJ preto de Fortaleza, sempre me surgiu a necessidade de trazer, de fazer provocações de outras sonoridades. Principalmente enquanto pessoa LGBT, e também de ter outras pessoas na line up”, explicou DJ Viúva Negra.


“Eu acredito que não é só uma forma lúdica, não é só uma forma de dar prazer ao público; é uma forma também de atravessamento político, de ver que pessoas pretas não são só a line up, mas elas também frequentam porque elas se sentem representadas por aquelas músicas e ela também se sente representada vendo quem está tocando, quem está na produção dessas festas”, complementou o produtor.
G1-CE