"Quando decidi descer do jetsky e entrar na água, coloquei o colete e comecei a nadar. Em certos momentos nadava peito, mas quando nadava de costas eu tomava como referência o alinhamento das estrelas para me orientar", disse.
O sargento revelou que cogitou ficar a noite inteira em cima da motoaquática, que parou de funcionar após linhas de kitesurf ficarem enganchadas no motor. Mas acredita que isso poderia causar sofrimento na família pela demora em saber notícias do seu paradeiro.
"Eu poderia ter ficado a noite inteira em cima do jetsky esperando o socorro chegar ao amanhecer, mas eu fiquei pensando na minha mãe, o quanto ela poderia ficar preocupada, pois esse tipo de notícia corre muito rápido", afirmou.
Peixes tentando morder
O agente disse também que durante o trajeto a nado sentiu peixes tentando mordê-lo, mas mesmo assim manteve a calma, até que enfim sentiu a aproximação da costa ao ouvir o som das ondas quebrando na areia.
"Quando eu já tinha nadado bastante, comecei a ouvir o barulho do som das ondas quebrando, fui me tranquilizando e entendi que já estava perto da areia e continuei nadando, tentando colocar o pé no chão pra sentir a areia até que consegui chegar em terra firme", relembra.
Mesmo já em terra firme, sargento Jairo ainda precisou andar por quase uma hora pela areia até encontrar um povoado onde conseguiu ajuda de uma moradora.
"Já em terra firme andei uns 50 minutos até que encontrei algumas casas e bati em algumas portas, até que encontrei uma moradora que até parecia estar me esperando, me ofereceu lanche e enfim pude entrar em contato com a família e os colegas", conclui.
Bombeiro ficou à deriva após salvar turista
Sargento Jairo salvou um turista que se afogava na praia de Jericoacoara, trazendo-o de volta à faixa de areia; em seguida, ele voltou ao mar em uma motoaquática para tentar recuperar o equipamento de kitesurf, quando desapareceu.
Segundo o bombeiro, a pipa do kitesurf entrou na turbina e danificou a moto-aquática. O agente tentou consertar o veículo, mas não conseguiu e ficou à deriva. Ele acrescenta que esperou o socorro e, após a demora, decidiu resolver nadar por quatro horas até chegar à praia de Tatajuba.
"Eu fiquei das 21 horas [da noite de terça-feira, 6] até uma hora da madrugada nadando. Ao chegar na faixa de areia, já em Tatajuba, eu caminhei e cheguei até uma residência. Liguei pra minha família e amigos e disse que estava bem", afirmou.
Durante toda a noite, equipes de salvamento do Corpo de Bombeiros reforçaram as atividades no local e realizaram buscas pelo sargento por meio de um bote.
G1 CE