O g1 conversou com o irmão mais novo de Júnior, Guthierre Gomes, de 22 anos. Ele disse que o irmão estava gravando imagens para um quadro chamado "onde é o geras hoje?" (expressão utilizada no Ceará para indicar locais de lazer entre a juventude). Junior tentava seguir carreira como digital influencer, com dança e nas redes sociais, mas também trabalhava como entregador de aplicativo.
“Onde tinha alguma festa, algum rolê, ele ia para cobrir, fazer alguns vídeos engraçados, e postava na internet”, explicou Guthierre.
Júnior estava no posto de gasolina com amigos. O grupo costumava frequentar a loja de conveniência do estabelecimento, de acordo com o irmão dele.
Guthierre disse que, segundo as testemunhas, a confusão que antecedeu o crime iniciou após o suspeito chegar ao posto de gasolina e frear o carro próximo ao grupo de amigos. Por conta do incidente, eles começaram uma discussão verbal com o policial militar. No carro do suspeito ainda havia outro homem e três mulheres, segundo Guthierre.
"Ele já chegou colocando o carro 'por cima' da galera que estava lá curtindo. Tinha outras vagas para estacionar. Não precisava ele ter feito aquilo", disse.
Guthierre relatou que a discussão verbal escalonou para agressões físicas, encerrando quando o policial disparou duas vezes — uma atingiu de raspão uma jovem, e a outra perfurou o abdome de Junior.
Junior ficou mais de 20 dias internado, mas o tiro atingiu o estômago e a bexiga — órgãos com recuperação lenta. No dia 27 de novembro, ele faleceu devido a uma hemorragia consequente do disparo.
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| Foto: Reprodução |
‘Acabou com minha família’
Guthierre, que trabalha com fabricação de pás eólicas, revelou que a família ainda não conseguiu lidar com a perda do irmão. Ele disse, inclusive, que começou a tomar remédios para controlar as crises de ansiedade, que iniciaram após o crime.
“Ele [o policial] acabou com minha família, estragou. Está sendo muito difícil, muito doloroso. Ele tinha apenas 26 anos, era muito trabalhador”, lamentou.
Ele revelou também que não morava com os pais e o irmão antes do crime, porém, decidiu voltou à casa da família para seguir apoiando — e sendo apoiado — pelos outros familiares.
“Quando a notícia chegou até nós, foi desesperador. A gente nunca imaginou ele estar envolvido em uma confusão, daquela forma, e muito menos que isso acontecesse com ele. Ele era tão do bem, alegre, nunca fez mal a ninguém”, complementou Guthierre.
G1-CE
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