Todos estavam cabisbaixos. As pessoas amontoadas ao redor das caixas de som balançaram a cabeça ou blasfemaram. Alguns saíram de perto e desistiram de continuar ouvindo.
Os mais decepcionados choraram e houve quem ajoelhasse. O clima era um misto de decepção e apatia. Também teve quem defendeu que ele não entregou os pontos —mas esse grupo foi minoria.
O acampamento da sede do Exército fica numa praça em frente ao quartel-general. Há uma escada apelidada de arquibancada pelos manifestantes. Ali o público crescia conforme as rodinhas em volta das caixas de som diminuíam.
Uma mulher sentou desolada e abaixou a cabeça para que a aba do boné escondesse o choro.
Ao final do pronunciamento, silêncio. Apenas uma mulher falou ao microfone que a causa golpista "não está perdida" e que "era lógico que Bolsonaro não anunciaria um plano de intervenção".
Para ela, Bolsonaro combinou com as Forças Armadas e fez um discurso para não ser acusado de nada quando o "levante militar" acontecer. Ela notou que a narrativa não causou impacto e convidou todos pra rezar um Pai-Nosso, mas a oração puxada por ela também não empolgou.
Um homem tentou puxar o coro de "eu não vou embora". Não houve adesão.
Algumas dezenas deixaram o acampamento. Moradores de Brasília fecharam a cadeira de praia e tomaram o rumo de casa.
Enquanto apoiadores abandonavam o QG, motociclistas da PM passaram buzinando e o hino nacional tocou. Mas cinco minutos depois, a apatia voltou ao acampamento.
UOL