No ano passado, ao longo da campanha, Bolsonaro associava o “risco” à vitória de Lula. Nos Estados Unidos, o ex-presidente Donald Trump e outros representantes do Partido Republicano usavam o mesmo expediente contra Joe Biden, vitorioso no pleito de 2020. A pesquisa mostra ainda que, no Brasil, 31% concordam totalmente com a afirmação de que o comunismo pode vigorar no país; 13% dão aval em parte, enquanto 48% discordam total ou parcialmente da possibilidade.
— A maior parte das pessoas associa o comunismo na América Latina com as situações de Venezuela e Cuba, combinações de um regime autoritário com realidades como fome e desabastecimento. Isso esteve muito presente nas narrativas do Bolsonaro — diz a cientista política Camila Rocha, pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).
Em setembro de 2022, em Sorocaba (SP), Bolsonaro chamou Lula de “capeta” e disse que o petista queria “impor” o comunismo no Brasil. Não à toa, a pergunta “o que é comunismo?” foi a que mais cresceu em uma das categorias nas pesquisas dos brasileiros no Google no ano passado.
Os evangélicos são os que mais acreditam na chance de o Brasil virar comunista: 57% concordam totalmente ou em parte. Considerando só os católicos, o percentual cai para 39%. Entre os evangélicos, são 43% os que acham totalmente que essa possibilidade existe com o retorno de Lula ao Palácio do Planalto, enquanto outros 14% concordam em parte que isso é possível. Pouco mais de um terço desse segmento (36%) descarta a afirmação.
O dado dá a medida da desconfiança dos evangélicos, que correspondem a cerca de 40% da população brasileira, em relação a Lula.
O Globo