Segundo Eduardo Sávio, presidente da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), há preocupações com a quadra chuvosa de 2024, devido à atuação do El Niño. Conforme o presidente, de junho de 2022 até maio de 2023, o Oceano Pacífico estava em condição de resfriamento, entretanto, no Pacífico Equatorial, por volta dos meses de abril e maio, vem ocorrendo o aquecimento da região.
“Quando a gente olha as camadas subsuperficiais do Pacífico Equatorial nós temos essa tendência persistindo nos próximos meses, a tendência é que janeiro, fevereiro e março nós temos uma probabilidade de 70% de ocorrência de El Niño”.
De acordo com Eduardo, caso o El Niño se consolide, haverá uma “subsidência de ar”, ou seja, um fluxo de ar de cima para baixo, o que impediria a formação de nuvens, já que o vapor quente úmido não conseguiria se elevar e, consequentemente, formar as nuvens para a precipitação. “Por isso que a gente tem que manter o monitoramento, e que a alocação leve isso em consideração para usar essa informação nas decisões e liberações ao atendimento de demandas que são previstos pelo sistema de reservatórios do Estado”.
A quadra chuvosa deste ano terminou com o maior volume hídrico registrado nos últimos 10 anos, com 51% da capacidade total nos 157 açudes do Estado. No entanto, o alto nível de precipitações também trouxe desafios aos órgãos públicos do Ceará. Entre os meses de maio e abril, alguns municípios cearenses estiveram em situação de emergência ou calamidade, no caso de Milhã.
Opinião CE