Por: Thiago Rodrigues
25/01/2012 às 09h57 Atualizada em 25/01/2012 às 09h57
O Movimento Doe de Coração chegará, neste ano, à sua 10ª edição. Realizada pela Fundação Edson Queiroz nos meses de setembro, vem contribuindo para fomentar a conscientização pela doação voluntária de órgãos no Estado do Ceará. Para a coordenadora da Central de Transplantes do Estado e integrante da direção da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), Eliana Barbosa, grande parte do mérito pelo quinto recorde consecutivo em transplantes no Ceará deve-se à campanha, considerada por ela a mais completa nacionalmente.
Hoje, o Estado está em primeiro lugar no Brasil em cirurgias de fígado e em segundo de coração. "Sempre falo que é um movimento que faz a diferença, atinge a todos os públicos, com linguagem e informações corretas, explicativas e desmistificadoras sobre o processo da doação de órgãos", afirma a coordenadora. Ela informou que, em 2003, quando a campanha foi lançada, o Estado deu um salto significativo nos transplantes. Segundo a coordenadora, a variação foi de 41,8% em relação ao ano anterior, no caso, 2002. "Nós vínhamos com aumentos tímidos, que oscilavam de um ano para o outro. Se em 2000 foram 272 transplantes, em 2001, caía para 202. Mas, em 2003, começou um processo crescente desses procedimentos. Em 2002, foram 296. No ano seguinte, fomos para 420 e, em seguida, para 559", explica. O coordenador dos transplantes de coração do Hospital de Messejana (HM), João Davi de Souza Neto, participou ativamente do lançamento da iniciativa em setembro de 2003, e classifica a campanha como um importante elo para essas crescentes doações. "Diferentemente de campanhas fulgazes, até mesmo as governamentais, que quem vê esquece e não são nenhum pouco esclarecedoras, o Movimento Doe de Coração vem na contramão, rotineiro, explicativo, em horário nobre, seja em rádio, impresso e televisão", analisa Neto. Segundo ele, somente neste ano, pelo menos até ontem, foram realizados cinco transplantes de coração. "Só na madrugada de segunda para terça-feira, nós fizemos três procedimentos dessa natureza. Isso só acontece em grandes centros transplantadores, que têm infraestrutura, equipes intra-hospitalares para captação e, mais do que isso, uma população sensibilizada com a causa, e boa parte dessa sensibilização atribui-se à campanha idealizada pela Fundação Edson Queiroz", ressalta. Eliana Barbosa diz que, quando as doações estão fracas, imediatamente a Central liga para Fundação e pede para que veiculem mais o movimento. "É impressionante, mas se vai ao ar hoje, amanhã a gente já tem saltos significativos. E falo mais, o Ceará está de parabéns, pois campanhas desta natureza, com essa magnitude, só aqui no Estado", elogia.
Diário do Nordeste