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Quiterienses dividem opiniões sobre educar crianças com "tapinhas"; veja o que diz a lei

As crianças são protegidas pela Lei Menino Bernardo, que proíbe o uso de castigos físicos ou tratamentos cruéis e degradantes na educação de crianças e adolescentes

20/02/2024 às 18h46 Atualizada em 21/02/2024 às 17h48
Por: Raflézia Sousa
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Getty Images
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Algumas pessoas com certeza já falaram ou ouviram a frase “apanhei e não morri” quando se trata de maneiras para garantir educação de crianças. Enquanto algumas abominam esse comportamento, outras consideram aceitável, A Voz de Santa Quitéria foi às ruas para ouvir opiniões de mães e especialistas. Será que existe um certo ou errado na situação?

Letícia Teixeira, da Novas Flores, não considera que bater em crianças é uma forma de correção, mas que “às vezes a tem que dar sim, de vez em quando eu dou uma palmadinha”. E relata que “acha que não leva a nada”. Mas ressalta que a melhor maneira de educar é conversando “e em último caso, a palmadinha”.

Já Anastácia Martins, do bairro Piracicaba, opina que não se pode optar pela agressão como forma de educação, considerando que existem outras formas mais eficazes, como conversar com carinho e amor, e ensinar respeito ao próximo, para que a criança aprenda a replicar isso, em vez da violência. Ela relata que já apanhou em sua infância, e que não pode afirmar que essa ação não ensina, mas que com o tempo, novas formas mais eficazes surgiram. “Tudo bem que o que eu levei lá atrás pode ter me ensinado alguma coisa, mas não é o que eu opto hoje para as minhas filhas”, comenta.

Segundo o conselheiro tutelar e coordenador administrativo, Lucas Farias, as crianças são protegidas pela Lei Menino Bernardo, que proíbe o uso de castigos físicos ou tratamentos cruéis e degradantes na educação de crianças e adolescentes. Ao ser questionado se “tapinhas” também se enquadram na lei, Lucas explica: “Na verdade, a lei é contra qualquer tipo de castigo físico, não existe uma diferença entre tapinha ou tapão, cabe a família entender que não se educa com castigo físico”.

Caso algum cidadão note que uma criança pode estar sendo vítima de agressões, ele tem a obrigação de realizar a denúncia, afirma o conselheiro. Ela pode ser feita de maneira anônima, presencial ou por telefone, ao conselho tutelar ou à polícia. “Após a denúncia, a família é notificada, se caso seja confirmado a veracidade do fato, o conselho tutelar aplica as medidas [...]”.

A psicóloga infantojuvenil Bárbara Paz, explica que pesquisas científicam apontam que punições e castigos físicos são prejudiciais ao desenvolvimento das crianças. "as palmadas e outros tipos de agressões físicas podem elevar o nível de estresse da crianças e repercutir em suas habilidades cognitivas. Crianças que são punidas fisicamente com frequência apresentam maior probabilidade de desenvolver problemas de conduta, quadros psicossomáticos, vícios e outros quadros emocionais disfuncionais", detalha ela, e argumenta que utilizar o diálogo como forma de resolução de problemas será mais eficaz e ajudará a desenvolver o senso de responsabilidade da criança.

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