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Pesquisa mostra que 87,5% da população da área de litígio ente Ceará e Piauí preferem ficar no estado cearense

Equipe de pesquisa passou 38 dias em campo para elaborar esses dados importantes, e que devem subsidiar ainda mais a defesa do Ceará nessa ação

21/02/2024 às 08h10
Por: Thiago Rodrigues Fonte: Agência Assembleia
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Foto: José Leomar
Foto: José Leomar

A Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), por meio do Comitê de Estudos de Limites e Divisas Territoriais do Ceará (Celditec), e o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Estado (Ipece) apresentaram, na manhã desta terça-feira (20/02), no Museu da Arte e do Som Chico Albuquerque (MIS), a “Pesquisa socioeconômica na área de litígio entre o Ceará e o Piauí: avaliação de serviços públicos e percepção dos moradores quanto ao sentimento de pertencimento”.

A pesquisa do Celditec e do Ipece foi realizada seguindo um plano de amostra, em um quantitativo de 417 domicílios, em 136 localidades, dos 13 municípios que estão na área de litígio.Entre os questionamentos da pesquisa nas localidades que podem ser afetadas está  a indagação:  “caso venha a ser necessário escolher, gostaria de pertencer a qual Estado?”. O resultado foi que 87,5% dos moradores expressaram preferencia por pertencer ao estado do Ceará, enquanto 12,5% manifestaram preferencia pelo Piauí. 

Entre elas, a que mostra que 90% dos entrevistados afirmam que suas propriedades (residências/fazendas) localizam-se no Ceará, sendo que 97,2% possuem escritura ou documento que atribuem jurisdição de suas propriedades ao Estado cearense.  Na infraestrutura, o estudo aponta que 96,6% do abastecimento de água feito pela rede geral, cisterna ou carro-pipa é feito pelo Estado do Ceará ou município cearense.

Foram mapeados nessa área, ainda, conforme dados de 2022, 15 locais de votação, 589,3 km de rodovias (61,6 km de federais, 60,7 km de estaduais e 467 de rodovias não pavimentadas); 291 torres de energia eólica; 775 km de rede de energia elétrica; 174 poços ou chafarizes mantidos pelo Ceará; quatro terras indígenas; 18 sítios arqueológicos, entre outros equipamentos.

Cleyber de Medeiros observou que os dados reiteram o pertencimento da população com o Ceará, além de reforçar o sentimento e reconhecimento dos moradores com os serviços públicos oferecidos pelo Estado do Ceará. “Nós identificamos que a grande maioria da população é atendida pelo Ceará e seus municípios. Inclusive, no tocante a Educação, Saúde, Segurança Pública, Infraestrutura Hídrica, Rodoviária e Energética. A maioria da população opta por ser Cearense e continuar no Ceará”, disse. 

Segundo Cleyber de Medeiros, com a atual malha de divisas que vem sendo praticada pelo IBGE nos seus censos demográficos, foi identificado que cerca de 24% da área reivindicada pelo Piauí já são administradas pelo próprio Estado vizinho. De acordo com o coordenador do Celditec, Luís Carlos Mourão, a equipe de pesquisa passou 38 dias em campo para elaborar esses dados importantes, e que devem subsidiar ainda mais a defesa do Ceará nessa ação. 

O processo ajuizado pelo Piauí envolve áreas de 13 municípios cearenses (Carnaubal, Crateús, Croatá, Granja, Guaraciaba do Norte, Ibiapina, Ipaporanga, Ipueiras, Poranga, São Benedito, Tianguá, Ubajara e Viçosa do Ceará) e abrange três regiões de planejamento do Ceará: Litoral Norte (Granja), Sertão dos Crateús (Crateús, Poranga, Ipaporanga, Ipueiras) Serra da Ibiapaba (Carnaubal, Croatá, Guaraciaba do Norte, Ibiapina, São Benedito, Tianguá, Ubajara e Viçosa do Ceará).

Em 2011, o Piauí iniciou uma Ação Cível Originária no Supremo Tribunal Federal (STF) pleiteando áreas dos municípios cearenses citados, dos quais oito estão na Serra da Ibiapaba. A área pleiteada totaliza quase 3 mil quilômetros quadrados (km²). O processo está sob a relatoria da ministra Cármen Lúcia.

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