Por: Thiago Rodrigues
17/03/2012 às 08h47 Atualizada em 17/03/2012 às 08h47
A crise política entre o governo e a base aliada no Congresso, que se agravou nesta semana com a troca de líderes no Senado e na Câmara e ameaças de rebelião, levou aliados do Palácio do Planalto a procurarem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em busca de ajuda. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), foi a São Bernardo do Campo quinta-feira à noite para encontrar o petista, num momento em que a cúpula do seu partido está incomodada com o tratamento que tem recebido da presidente Dilma Rousseff (PT).
Nos últimos dias, Lula falou ainda com o novo líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), que o visitou ontem no Hospital Sírio-Libanês, com o governador Eduardo Campos (PSB-PE) e com o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), muito próximo a ele. Apesar dessa movimentação, o ex-presidente afirmou que só retomará o "ritmo normal" de suas atividades em 30 dias. Ontem, terminou o tratamento contra uma infecção pulmonar que fez com que Lula ficasse internado por uma semana. O ex-presidente fará exames na próxima sexta-feira (23) para checar se houve remissão completa do câncer na laringe. A expectativa é de que os exames confirmem o desaparecimento do tumor. Ontem, Lula recebeu a última dose do tratamento com antibióticos contra uma infecção pulmonar. Segundo o jornal Folha de São Paulo, Sarney relatou a Lula que a base aliada vive momento de tensão com o Planalto e que é preciso buscar entendimento para pacificar os ânimos. A cúpula do PMDB sentiu-se desprestigiada com a decisão de Dilma de trocar o senador Romero Jucá (PMDB-AP) por Braga, do grupo dissidente. Na avaliação dessa ala, ela valorizou um senador que jogava contra o governo federal. Sarney disse que a visita a Lula foi de cortesia e que o tema principal da conversa foi a saúde do ex-presidente. "Ele quis falar de política, mas eu disse que estava ali para falar da recuperação dele, de como a recuperação é importante para o país". O primeiro sinal sério de insatisfação na base foi a rejeição de Bernardo Figueiredo, indicado por Dilma, para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O episódio foi a gota d´água que levou Dilma a trocar os líderes, o que alimentou o clima de rebelião e piorou a desarticulação política do governo. A confusão chegou ao ápice com as idas e vindas em torno da Lei Geral da Copa. O governo cedeu à base e recuou da liberação de bebidas alcoólicas em estádios, mas teve de voltar atrás um dia depois - negociadores palacianos não sabiam de compromisso firmado pelo próprio governo com a Fifa em 2007, que garantia a venda. A semana tumultuada levou Dilma a reforçar orientação que já havia dado à sua equipe - votar temas de interesse do governo só quando houver segurança. A presidente disse a assessores que, em caso extremo, pode prescindir do Congresso até outubro, quando terá de votar o Orçamento de 2013. Isso significa que, no atual clima, o governo não votará o Código Florestal. Em relação à Lei Geral da Copa, aposta na pressão da sociedade, por se tratar de evento popular.
Diário do Nordeste