
Diante da iminência do ex-governador cearense Camilo Santana (PT) deixar o cargo no Ministério da Educação (MEC), conforme dito por ele mesmo, o senador Cid Gomes (PSB-CE) afirmou que a atitude, justificada como parte de uma estratégia para reforçar a campanha pela reeleição de Elmano de Freitas (PT), seria péssima para o atual governador do Ceará.
"Se ele (Camilo) sair, isso é terrível para o Elmano. O Camilo, como foi um excelente governador, saiu muito bem avaliado; ele não deixa de ser uma sombra para o governador Elmano. Agora, se ele sai do ministério, isso deixa de ser uma sombra e passa a ser um fantasma", declarou Cid em entrevista à Folha de S. Paulo.
Embora Camilo e o presidente Lula (PT) neguem publicamente, o nome do ex-governador é apontado como possível substituto de Elmano na disputa pelo Governo do Estado nas eleições de 2026, caso o governador apareça mal em pesquisas em relação ao possível adversário, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB).
Pesquisa de intenção de voto Real Time Big Data, publicada em dezembro de 2025, apontou Ciro e Elmano empatados com 39%. O levantamento não simulou opções com Camilo na disputa.
No mesmo mês, pesquisa Ipsos-Ipec apontou cenário com Ciro dez pontos percentuais à frente de Elmano (44% a 34%), novamente sem incluir Camilo entre as opções. Ainda em dezembro, o Instituto Paraná Pesquisas apontou Ciro quase 13 p.p. à frente de Elmano (46% x 33,2%), mas perdendo em simulação contra Camilo Santana (45% x 36,8%).
Camilo justificou a possível saída do MEC, que deve ocorrer entre o final de março e início de abril, como uma oportunidade de focar mais no Ceará e trabalhar pela reeleição de Elmano no Estado e de Lula em termos nacionais. A saída antes do prazo final de desincompatibilização, porém, permite que ele concorra nas eleições de outubro.
O nome do ministro é apontado como possível responsável por administrar os palanques do presidente Lula no Nordeste, com maior enfoque na Bahia e no Ceará, onde Lula acredita que o aumento do número de votos foi essencial para a vitória nas urnas em 2022.
Camilo foi eleito governador, em 2014, por pequena margem de votos na disputa contra Eunício Oliveira (MDB). Ele foi reeleito em 2018, no primeiro turno, com 79,96% dos votos, obtendo a maior porcentagem da história numa eleição para governador no Ceará. Com popularidade alta, em 2022, Santana foi eleito senador da República com quase 70% dos votos.