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Polícia deflagra operação para prender foragidos por crimes sexuais em várias cidades do Ceará

As ações policiais ocorrem, de forma simultânea, em todo o estado do Ceará, com ênfase em Fortaleza e na Região Metropolitana

Raflézia Sousa
Por: Raflézia Sousa Fonte: Portal GCMAIS
26/01/2026 às 09h29
Polícia deflagra operação para prender foragidos por crimes sexuais em várias cidades do Ceará
Foto: Reprodução / SSPDS

Foi deflagrada na manhã desta segunda-feira (26) uma operação policial para cumprir mandados de prisão contra foragidos da Justiça com envolvimento em crimes sexuais, em todo o estado do Ceará. Até as 8h desta segunda, foram efetuadas cinco prisões.

Conforme divulgado pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), as ações são realizadas de modo conjunto por equipes da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) e da Polícia Militar do Ceará (PMCE). As diligências são realizadas no âmbito do Programa de Cumprimento de Mandados de Prisão (Procumpri) e contam com equipes das Polícias Civil e Militar e das Coordenadorias Integradas de Planejamento Operacional (Copol), de Operações de Segurança (Ciops), de Operações Aéreas (Ciopaer) e de Inteligência (Coin).

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As ações ocorrem, de forma simultânea, em todo o estado, com ênfase em Fortaleza e na Região Metropolitana. A SSPDS não chegou a especificar os municípios onde os mandados de prisão estão sendo cumpridos, mas adiantou que mais detalhes sobre o ocorrido serão repassados à imprensa ao longo desta segunda-feira.

2025

O Ceará registrou 1.927 vítimas de violência sexual em 2025, o que representa uma média de cinco casos por dia no estado. Do total de ocorrências, 1.435 vítimas eram menores de 18 anos, equivalente a cerca de 74% dos registros. O dado mais alarmante aponta que crianças de até 11 anos concentram 41,93% dos casos, incluindo bebês com menos de um ano de idade. Os crimes envolvem estupro, estupro de vulnerável e exploração sexual de crianças e adolescentes, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social.

Na maioria das situações, a violência ocorre dentro do próprio ambiente doméstico, e o agressor costuma ser alguém próximo da vítima, como familiares ou pessoas de confiança.

A advogada criminalista Ana Paula Rocha destaca a importância da orientação das crianças por parte das famílias. “É preciso explicar quais partes do corpo não podem ser tocadas, porque a criança, até os 14 anos, ainda está em formação psíquica e motora e muitas vezes não consegue discernir se aquele ato é um carinho ou uma violência que visa satisfazer a lascívia do agressor”, explicou.

Mesmo com leis mais rigorosas, os crimes continuam acontecendo. Segundo a advogada, a pena para estupro de vulnerável pode chegar a 24 anos de prisão quando há lesão corporal grave e até 40 anos quando o crime resulta em morte. Ela ressalta que a legislação foi endurecida nos últimos anos justamente em resposta ao aumento dos casos. Ainda assim, os dados oficiais apontam que 86% das vítimas de crimes sexuais no Ceará são mulheres e que, em relação a 2024, houve uma redução de 5,7% nos registros.