A família ainda cobra respostas das autoridades. “A gente não quer que isso aconteça com outras pessoas. Ninguém merece perder um parente assim, esperando por um leito que é um direito”, disse a irmã de Edilson.

Um homem de 44 anos morreu após dias de espera por uma transferência da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Edson Queiroz, em Fortaleza, para um hospital com estrutura de maior complexidade. A família denuncia que houve demora na liberação de um leito, mesmo após solicitação médica com urgência.
Edilson Monteiro da Costa deu entrada na UPA no dia 29 de janeiro, apresentando um quadro grave de saúde. Segundo familiares, ele sofria de edema agudo de pulmão associado à hipertensão, além de pneumonia bacteriana. Desde a admissão, o estado clínico exigia acompanhamento especializado que, de acordo com a família, não poderia ser oferecido na unidade.
“No começo disseram que ele precisava ser transferido porque a UPA não tinha suporte. A gente ouviu isso desde o primeiro dia, mas a vaga nunca saía. Cada dia ele piorava mais”, relatou a irmã de Edilson, Hélia Gomes. “A gente só escutava que precisava esperar, que não tinha vaga. E ele ali, lutando para respirar”, complementou.
No dia 1º de fevereiro, um médico da unidade emitiu laudo solicitando, em caráter de urgência, a transferência para um hospital secundário ou terciário, com estrutura adequada para tratar o quadro cardíaco e respiratório do paciente. Mesmo assim, a remoção só ocorreu quatro dias depois.
Durante o período de internação na UPA, familiares afirmam ter enfrentado dificuldades até mesmo para acompanhar o estado de saúde de Edilson. “Quando a gente vinha visitar, diziam que ele estava em procedimento. Quando conseguia ver, era rapidinho. Ele estava cheio de aparelhos, muito debilitado”, contou a irmã.
A família de Edilson acionou a imprensa nesta quarta-feira (4). Após a repercussão, a Secretaria da Saúde do Estado foi procurada e conseguiu um leito no Hospital Leonardo da Vinci. A transferência chegou a ser realizada, mas Edilson não resistiu e morreu pouco depois.
“Conseguiram a vaga quando já era tarde demais. A sensação que fica é de impotência. A gente viu ele se acabando aos poucos, esperando uma transferência que não vinha”, desabafou a irmã.
A família ainda cobra respostas das autoridades. “A gente não quer que isso aconteça com outras pessoas. Ninguém merece perder um parente assim, esperando por um leito que é um direito”, disse a irmã de Edilson.
A situação relatada não é isolada. A equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza encontrou outros pacientes aguardando transferência na mesma unidade. Uma mulher disse esperar há 21 dias por um leito hospitalar para a mãe. “A gente está aqui sem saber mais a quem recorrer. Todo dia é a mesma resposta: não tem vaga”, afirmou.
Além das transferências, usuários também reclamaram da demora no atendimento inicial. Uma paciente relatou ter esperado cerca de cinco horas para ser atendida. “Eu estava com muita dor no peito. Fiquei esperando chamarem meu nome e nada. Só fui atendida depois de horas”, disse.
Procurada, a direção da UPA informou, sem gravar entrevista, que o fluxo de atendimento segue os protocolos de classificação de risco e que os casos são encaminhados à Central de Regulação de Leitos, responsável por disponibilizar vagas hospitalares conforme a gravidade e a disponibilidade na rede.