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Cachês de até R$ 800 mil inviabilizam Carnaval nos municípios, diz presidente da Aprece

Presidente da Aprece aponta reajustes acima de 100% e diz que municípios já cancelam festas no Ceará

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues Fonte: Opinião CE
11/02/2026 às 00h26
Cachês de até R$ 800 mil inviabilizam Carnaval nos municípios, diz presidente da Aprece
Foto: O POVO

O presidente da Associação dos Prefeitos e Prefeitas do Estado do Ceará (Aprece), Joacy Alves Júnior, criticou o aumento nos cachês cobrados por artistas para o Carnaval no Estado e alertou para os impactos nas finanças municipais. Em entrevista ao portal UOL, publicada nesta segunda-feira (9), o dirigente afirmou que os reajustes têm inviabilizado a realização de festas em diversas cidades.

“Tem banda que era R$ 100 mil em 2025 e agora quer cobrar R$ 200 mil, R$ 300 mil. Há casos de até R$ 800 mil. Não há como pagar”, declarou Joacy Júnior.

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Segundo a reportagem, a elevação dos valores levou municípios a cancelar ou reduzir a programação carnavalesca e acendeu o alerta também para os festejos juninos. No Ceará, cidades como Tauá, Caucaia e Jaguaretama já anunciaram o cancelamento das festas, enquanto outros municípios optaram por diminuir a duração dos eventos.

Joacy Júnior destacou que, em alguns casos, os reajustes ultrapassam 100% de um ano para o outro. Para ele, o cenário é resultado de uma combinação de fatores, entre eles o crescimento do número de eventos financiados com recursos públicos, incluindo projetos aprovados nos ministérios do Turismo e da Cultura, além da utilização de emendas parlamentares para custear shows.

“O que acontece hoje é que a maioria dos grandes eventos é promovida pelo poder público. Se você tem centenas de cidades procurando as mesmas atrações, a lei da oferta e da procura acaba inflacionando os preços”, pontuou.

O presidente da Aprece reforçou que a realidade financeira dos municípios, especialmente os de pequeno e médio porte, não comporta aumentos considerados desproporcionais. Ele lembrou que o ano de 2026 exige ainda mais cautela na gestão fiscal.

“A questão da isenção do Imposto de Renda causou uma queda significativa de arrecadação na fonte. Isso exige responsabilidade ainda maior dos gestores”, afirmou. Para Joacy Júnior, é necessário buscar equilíbrio entre a valorização da cultura e a sustentabilidade das contas públicas, defendendo uma atuação articulada das entidades municipalistas para estabelecer parâmetros mais compatíveis com a realidade econômica dos municípios.