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Rússia criou vacina contra o câncer? Veja o que se sabe

Pergunta está entre as mais buscadas com “é verdade?” no Google; governo russo fala em redução de tumores, mas dados ainda não foram publicados em revistas científicas

Rita de Cássia
Por: Rita de Cássia Fonte: Band.com
13/02/2026 às 11h03
Rússia criou vacina contra o câncer? Veja o que se sabe
Foto: Reprodução

Nesta quinta-feira (12), a pergunta “é verdade que a Rússia criou uma vacina contra o câncer?” apareceu entre as mais buscadas pelos brasileiros no Google acompanhada do termo “é verdade?”. O interesse cresceu após anúncios oficiais do governo russo sobre o desenvolvimento de um imunizante terapêutico contra a doença.

Mas afinal: a vacina existe? Ela já está disponível? E funciona mesmo?

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É verdade que a Rússia criou uma vacina contra o câncer?

Nesta semana, a Agência Federal Médico-Biológica da Rússia (AFMB) informou ter concluído ensaios clínicos de uma vacina chamada Enteromics, voltada inicialmente ao tratamento de câncer colorretal. Segundo a chefe da agência, Veronika Skvortsova, os resultados teriam demonstrado eficácia e segurança.

De acordo com os dados divulgados pelo governo russo, os testes indicaram:

  • Redução de 60% a 80% no tamanho dos tumores em pacientes tratados;
  • Melhora nas taxas de sobrevida;
  • Ausência de efeitos colaterais graves relatados até o momento

Que tipo de vacina é essa?

Diferentemente de vacinas preventivas, como as da gripe ou da Covid-19, o imunizante anunciado é terapêutico — ou seja, destinado a pessoas que já têm diagnóstico de câncer.

Existem duas abordagens em desenvolvimento na Rússia. A primeira envolve tecnologia de mRNA personalizada. Nesse modelo, os cientistas analisam o perfil genético do tumor de cada paciente e produzem uma vacina sob medida para estimular o sistema imunológico (especialmente as células T) a reconhecer e atacar células cancerígenas específicas.

Já a segunda estratégia, por sua vez, utiliza vírus oncolíticos, que são modificados para infectar e destruir células tumorais sem provocar doença no paciente. A Enteromics estaria ligada a essa linha de pesquisa.

Para quais tipos de câncer?

O foco inicial anunciado é o câncer colorretal. Autoridades russas também mencionaram estudos voltados a melanoma (pele) e glioblastoma (tumor cerebral agressivo).

O governo da Rússia declarou que pretende oferecer a vacina gratuitamente à população a partir de maio de 2026. O custo estimado por dose personalizada seria de cerca de 300 mil rublos — aproximadamente R$ 15 mil na cotação atual.

A Sérvia foi citada como possível primeiro país parceiro a receber o tratamento fora do território russo.

Por que há cautela da comunidade científica?

Apesar do anúncio oficial, especialistas apontam que os resultados ainda não foram publicados em revistas científicas internacionais com revisão por pares — etapa considerada essencial para validação independente.

Até o momento, as informações foram divulgadas por autoridades do governo russo e em eventos institucionais. Sem acesso aos dados completos dos estudos, não é possível avaliar metodologia, tamanho da amostra, critérios de seleção dos pacientes, taxa de resposta detalhada ou acompanhamento de longo prazo.

Entidades médicas reforçam que, para qualquer novo tratamento oncológico ser adotado em larga escala, é necessário passar por fases clínicas rigorosas, incluindo estudos de fase 3, que envolvem um número maior de participantes e comparação com terapias padrão.

Então é verdade ou não?

É verdade que o governo russo anunciou o desenvolvimento e a conclusão de testes clínicos de uma vacina terapêutica contra o câncer.

No entanto, os dados ainda não foram publicados em periódicos científicos internacionais nem avaliados por revisão independente. Por isso, a comunidade científica mantém cautela até que haja transparência completa dos resultados.

A pesquisa faz parte de uma linha real e promissora da oncologia moderna, mas ainda depende de validação científica ampla antes de qualquer conclusão definitiva.

Na prática, o avanço pode representar um passo relevante na imunoterapia oncológica — mas ainda não há evidências públicas suficientes para afirmar que se trata de uma solução comprovada ou disponível globalmente.