
Um navio africano que ficou à deriva por dois meses no Atlântico foi finalmente resgatado e chegou ao Porto de Fortaleza na manhã da última sexta-feira (27). O Navio-Tanque (NT) “NW Aidara”, de bandeira de Togo, estava sem propulsão desde o início de fevereiro, quando uma falha no sistema hidráulico deixou a embarcação vulnerável à deriva. A Marinha do Brasil coordenou a operação de busca e salvamento, garantindo a segurança da tripulação e prevenindo riscos ambientais.
Durante semanas, a embarcação seguiu à deriva entre a África Ocidental e a costa do Nordeste brasileiro. A tripulação, composta por 11 pessoas, enfrentou condições difíceis: a mangueira hidráulica rompeu, provocando vazamento de óleo e danos nas engrenagens, e a comunicação via satélite estava inoperante. Sem controle do rumo, o navio navegava de forma imprevisível, tornando a operação de resgate ainda mais complexa.
O resgate chamou atenção não apenas pelo tempo que a embarcação ficou à deriva, mas também pelos riscos que representava. Além da escassez de alimentos e do desgaste da tripulação, havia possibilidade real de encalhe próximo à costa brasileira. Navios-tanque transportam cargas que podem causar impactos ambientais, o que aumentava a urgência da ação da Marinha.
Para auxiliar no resgate, a Marinha monitorou a movimentação de navios nas proximidades do NW AIDARA. As equipes estabeleceram ainda comunicação e forneceram mantimentos e água à tripulação do navio africano.
A operação era orientada pela Marinha em Natal e também contava com a coordenação da Capitania dos Portos do Ceará, junto à comunidade marítima local. Segundo a Marinha, o navio estrangeiro estava avariado e com escassez de alimentos. Além disso, estava sem comunicação por satélite e via rádio High Frequency, uma comunicação de maior alcance e independente de satélite. A única forma de contato com o navio era por Very High Frequency (VHF), “ou seja, sendo possível apenas receber informações de navios próximos”, segundo a Marinha.
Orientado pela Marinha do Brasil, o navio mercante YK NEWPORT se aproximou do navio à deriva no dia 1º de março, estabelecendo comunicação e realizando atendimento via telemedicina para acompanhar o estado de saúde da tripulação. A Marinha foi informada que a tripulação estava bem e que tentaria fabricar uma nova engrenagem de acionamento a bordo para concluir o reparo por conta própria.
O comandante do navio avariado informou que, caso a tripulação não conseguisse concluir o reparo até o dia 8 de março, entraria em contato com o Brasil para solicitar assistência. A Marinha informou, no entanto, que o problema não foi solucionado e que também não houve contato.
Segundo a Marinha, o navio africano “derivava em direção ao nordeste brasileiro, com possibilidades reais de encalhe, risco à vida humana no mar, e o potencial impacto ambiental decorrente da natureza da carga transportada por esse tipo de navio. Fatores fundamentais que reforçaram a importância da operação”.
No dia 9 de março, o Navio-Patrulha Oceânico Araguari foi enviado para interceptar o navio africano, a fim de estabelecer comunicações, avaliar o estado da tripulação e, caso necessário, prestar apoio com suprimentos. Ao mesmo tempo, o navio Corveta Caboclo saiu de Salvador, na Bahia e chegou em Fortaleza para também seguir em direção ao navio africano.
Alguns dias depois, o navio rebocador de alto-mar Triunfo saiu do porto de Natal, no Rio Grande do Norte, realizou o resgate do navio estrangeiro e o trouxe em segurança até o Porto de Fortaleza.