
A plataforma Mulher Segura, desenvolvida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e lançada na última semana, é uma ferramenta estratégica para prevenir e enfrentar a violência contra a mulher. A página reúne dados sobre crimes contra mulheres e traz informações que auxiliam as autoridades na tomada de decisões. Entre esses dados, está o local de predominância dos casos de feminicídio. No ano passado, 28,4% dos registros ocorreram nas residências das vítimas.
A iniciativa integra o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, que propõe ações interinstitucionais entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, em articulação com estados e municípios. O objetivo é fortalecer a prevenção, ampliar a proteção às vítimas e aprimorar a resposta institucional diante desses crimes.
Em 2025, o Brasil registrou 1.561 vítimas de feminicídio, o que evidencia a persistência da violência contra as mulheres como um dos principais desafios da segurança pública no País. Nesse contexto, a plataforma surge como um instrumento relevante para qualificar o atendimento, conectar informações e apoiar a formulação de políticas públicas mais eficazes no enfrentamento à violência de gênero.
A análise do perfil das vítimas revela uma idade média de 36,8 anos, com maior concentração nas faixas de 25 a 34 anos (29,7%) e de 35 a 44 anos (25,5%). Em relação à raça/cor, predominam mulheres pardas (44,6%), seguidas por brancas (29,0%) e pretas (6,7%).
As informações também mostram padrões relevantes quanto ao contexto dos crimes. A residência mantém-se como o principal local de ocorrência (28,4%), seguida pela via pública (11,4%). Na maioria dos casos, o meio empregado para o cometimento do crime foi arma branca ou objeto impróprio.
Observa-se, ainda, concentração temporal aos domingos (19,4%) e no mês de dezembro (10,1%), o que sugere possíveis associações com dinâmicas sociais e familiares.
No que se refere à relação entre vítima e autor, destaca-se que o companheiro é o agressor mais comum nesse tipo de crime. Do total de casos analisados, 481 mulheres, correspondendo a 30,8% das vítimas, possuíam registros anteriores contra o agressor.
Entre os principais antecedentes registrados pelas vítimas, predominam ameaças, lesões corporais, injúria, vias de fato e descumprimento de medida protetiva de urgência. Esse conjunto de dados evidencia um padrão de escalada da violência que, em muitos casos, antecede o feminicídio.