
Sophia Vitória, de 1 ano e 10 meses, recebeu alta hospitalar na última quarta-feira (1º), após passar por um transplante cardíaco em Fortaleza. A criança é natural do interior do Ceará e havia sido diagnosticada com cardiopatia dilatada ainda nos primeiros meses de vida. O órgão transplantado foi doado por Marina Ferreira Rocha, de 7 anos, que morreu após um acidente de quadriciclo em Teresina, no Piauí.
A cirurgia ocorreu em fevereiro deste ano e foi considerada bem-sucedida pela equipe médica responsável. Desde então, Sophia permanecia sob acompanhamento hospitalar, em processo de recuperação. A alta marca o início de uma nova etapa no tratamento, que seguirá com monitoramento contínuo fora do ambiente hospitalar.
A saída da unidade de saúde foi registrada pela família e divulgada nas redes sociais. Nas imagens, a criança aparece vestida com fantasia de heroína, enquanto se despede de profissionais que participaram do cuidado ao longo da internação.
Sophia foi diagnosticada com cardiopatia dilatada por volta dos cinco meses de idade. A doença compromete a capacidade de bombeamento do coração e, em casos graves, exige transplante como alternativa terapêutica. Diante da gravidade do quadro, a família deixou o município de origem e se mudou para Fortaleza, onde a criança passou a ser acompanhada por uma equipe especializada.
A espera por um órgão compatível durou meses. O transplante só foi possível após a autorização da família de Marina Ferreira Rocha para a doação de órgãos. A menina morreu depois de dias internada em um hospital particular de Teresina, em decorrência de um acidente ocorrido no sítio da família.
De acordo com a Central de Transplantes do Piauí, o procedimento envolveu uma operação logística para garantir o transporte do órgão em tempo hábil até o Ceará. A cirurgia foi realizada sem intercorrências. “O coração suporta uma quantidade de isquemia fria muito curta, menos de quatro horas. Então, na hora em que os vasos foram clampeados (tiveram o fluxo de sangue interrompido), a gente tinha cerca de três horas e meia para o órgão chegar a Fortaleza”, explicou a coordenadora da Central de Transplantes do Piauí, Lourdes.
A autorização para a doação partiu dos pais de Marina, a empreendedora Cynara Lopes e o tabelião Aurino Rocha. Em manifestação pública, a mãe destacou o caráter solidário da decisão. “Decidimos que, através da vida da Marina, outras vidas poderão ser abençoadas. Autorizamos a doação de seus órgãos para que esse gesto de amor alcance outras crianças e famílias”, disse.
Marina tinha 7 anos e duas irmãs mais velhas. Após a confirmação da morte, familiares e amigos realizaram uma despedida com homenagens, incluindo a soltura de balões brancos. Com a alta hospitalar, Sophia passa a seguir protocolo de acompanhamento ambulatorial, que inclui uso contínuo de medicação imunossupressora e avaliações periódicas. A expectativa da equipe médica é de evolução clínica gradual, dentro dos parâmetros esperados para pacientes transplantados.