
O prefeito de Itapajé, Raimundo Nonato (Republicanos), anunciou por meio das redes sociais a realização de uma reforma na escola localizada na Serra do Cantagalo, área considerada de difícil acesso no município. A unidade de ensino fica em um dos pontos mais elevados da região, o que, segundo o gestor, teria sido um dos principais obstáculos para intervenções anteriores na estrutura do prédio.
De acordo com o prefeito, conhecido como Nonatinho, administrações passadas não teriam executado as melhorias necessárias na escola sob a justificativa de inviabilidade logística para transporte de materiais até o local. A atual gestão, entretanto, adotou uma alternativa para viabilizar a obra: a utilização de um comboio de jumentos para levar insumos como cimento e tijolos até a serra.
A Serra do Cantagalo apresenta características geográficas que dificultam o acesso de veículos convencionais. Trilhas estreitas, terreno irregular e inclinações acentuadas tornam o deslocamento até a escola um desafio, especialmente para o transporte de cargas pesadas.
Segundo o prefeito, a solução encontrada foi mobilizar animais de carga para superar as limitações impostas pela topografia local. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram jumentos carregando materiais de construção pelas trilhas da serra. Os animais percorrem caminhos íngremes para levar os insumos necessários à execução da obra.
Em publicação, Nonatinho destacou que a estratégia permitiu viabilizar o início das intervenções na unidade escolar. “Aqui na Serra do Cantagalo, onde não tinha escola adequada para os alunos estudarem, uma desculpa que tinha era que não tinha como chegar material até a serra para fazer a obra de estruturação da escola. Como é que está vindo o material? Um comboio de jumentos trazendo material. Aqui vai tijolo, aqui vai cimento”, afirmou.
A iniciativa, no entanto, gerou repercussão e questionamentos por parte de defensores da causa animal. O uso de jumentos para transporte de carga em condições consideradas adversas levantou debate sobre possíveis implicações legais e éticas.
O deputado federal Célio Studart (PSD) se manifestou sobre o caso, citando a Lei nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais. A legislação estabelece sanções para práticas que configurem maus-tratos contra animais, incluindo situações em que eles sejam submetidos a esforço excessivo ou carreguem cargas incompatíveis com sua capacidade.
Entre os pontos previstos na lei está a proibição de utilização de animais em condições que possam comprometer seu bem-estar, como trabalho exaustivo ou exposição a riscos físicos. A aplicação dessas normas depende da análise das circunstâncias específicas em que os animais são utilizados