
A oposição do Ceará fica apavorada com a possibilidade de Ciro Gomes abandonar a política do Estado, para disputar à presidência da República. Mas essa possibilidade é real e não pode ser descartada.
Tudo começou com o convite de Aécio, cercado de elogios ao preparo de Ciro sob os olhos arregalados dos deputados estaduais Felipe Mota e Cláudio Pinho, que pareciam incrédulos com o que estavam assistindo.
Não foi só jogo de cena de Aécio e do PSDB. Existe dois cálculos que colocam essa possibilidade dentro do campo do possível, somados a outras variáveis políticas.
Já abordei o tema em colunas anteriores, falando da queda representativa do PSDB que tenta se reposicionar no cenário nacional. Ciro pode colocar novamente a cúpula tucana no centro do debate.
Aécio enxerga em Ciro um grande potencial de alavancar uma candidatura à Presidência da República com capacidade de aumentar a visibilidade da legenda no cenário nacional ao ponto de ampliar sua bancada federal e engordar o fundo partidário da sigla tucana nos futuros embates.
Soma-se a este cenário, outras variantes concretas, frutos de estudos e cálculos políticos. Nenhum dos nomes do campo da chamada terceira via foi capaz de empolgar o bloco do “nem nem”, nem Lula nem Bolsonaro.
Embora esses postulantes somem juntos 15% da intenções de votos, na última pesquisa Quaest, Ronaldo Caiado (PSD) 6%, Romeu Zema (Novo) 3%, Augusto Cury (Avante) 2%, Renan Santos (Missão) 2%, Cabo Daciolo (Mobiliza) 1%, Samara Martins (UP) 1%, Aldo Rebelo não pontuou, Indecisos somaram 5%, e Brancos e Nulos somaram 11%.
Vejam que nenhum nome fora da polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro consegue quebrar a barreira dos dois dígitos, o que inviabiliza qualquer nome a pensar em chegar a um eventual segundo turno em caso de uma derrapada de Flávio Bolsonaro, que vem se consolidando como principal nome da oposição.
É aqui que entra Ciro e a visão do PSDB. Aécio entende que o ex-ministro pode quebrar inicialmente essa barreira dos dois dígitos e reorganizar esse campo eleitoral hoje disperso. Se nos próximos levantamentos ele aparecer melhor que Caiado, Ciro passa a ser uma solução para o PSDB e um problema para oposição do Ceará.
Ciro já é conhecido nacionalmente, tem identificação com esse eleitor “nem nem”, pode colocar lenha nessa fogueira eleitoral e se chegar bem colocado na reta final, tem dois ganhos reais: dobra o valor do PSDB nas negociações de segundo turno e se projeta para disputa de 2030 fora da polarização.
A pré-candidatura de Ciro ao Abolição o recolocou no jogo nacional. Agora, a escolha define o tamanho do seu destino político.