
No jogo político “não existe almoço grátis,” tudo tem um preço e uma intenção por trás. No caso específico do convite do presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, para que Ciro Gomes volte a concorrer à Presidência da República, não existe um, mas vários motivos.
O PSDB está em baixa, sem peso político para sentar na mesa de negociação nacional, após perder três governadores para outras legendas.
Ciro tornou-se um instrumento de pressão para negociação política tanto para o quadro nacional quanto para o estado do Ceará.
O ex-governador cearense não tem mandato, portanto, não precisou se desincompatibilizar de cargos e está livre para concorrer à Presidência ou ao Governo do Ceará, até as convenções partidárias ele teria tempo de sobra para avaliar os cenários; ou voltar ao berço político ou partir para mais uma candidatura à Presidência da República, em um desenho eleitoral que se mostra muito semelhante ao de 2022.
No campo nacional, Ciro é o único postulante fora da polarização, com uma imagem genuinamente de terceira via, após ter participado de várias disputas e ter consolidado essa imagem no último pleito de “nem nem”; nem Lula nem Bolsonaro.
É por essa razão que Ciro não descartou prontamente o convite de Aécio e deve aguardar as próximas rodadas de pesquisas para definir seu destino, em uma avaliação mais técnica após sondagens com eleitores com seu nome no quadro de postulantes à Presidência da República.
Neste cenário, ganham Aécio e Ciro. Aécio porque deve voltar a ser chamado para a mesa de negociações entre os partidos de centro, reposicionando o PSDB e de olho em Minas. Ciro ganha porque esse convite de Aécio, serve como instrumento de pressão para o PL, de Flávio Bolsonaro: ou declara apoio a Ciro ou corre o risco de ter mais um adversário de centro com lugar de fala no debate presidencial que pode prejudicar os planos da direita bolsonarista.
Ciro já avançou muito no Ceará para “desertar” com o bloco de oposição, sobre o assunto ele tem ponderado que ouvirá a família, os amigos e o povo cearense para tomar a sua decisão.
O fato é que Ciro já tem essa decisão tomada e só quer anunciar quando o PL declarar apoio oficial à sua pré-candidatura ao Abolição, porque ainda espera concretizar a narrativa de que todas as correntes se uniram para derrotar o petismo no Ceará.
Ciro está decidido a disputar a eleição no estado, está adiando o processo porque tem sido conveniente para ele. Como as pesquisas o colocam na liderança, ele tem desempenhado o papel de Ciro paz e amor. Contudo, há uma nova variante nesse caminho, caso haja uma inversão nesses números, Ciro manteria o comportamento que tem adotado até aqui?
Aécio pressiona o jogo nacional e Ciro cerca o PL do Ceará, a estratégia é correta do ponto de vista do jogo eleitoral, cada um luta com as armas que tem. É neste cenário que o ex-governador cearense tem que decidir.
Entre o chamado nacional e a eleição no Ceará, Ciro não está decidindo uma disputa, está escolhendo como será lembrado na política.