
Casos recentes de mal súbito durante a prática de atividades físicas em academias do Ceará acenderam um alerta entre órgãos de defesa do consumidor, conselhos profissionais e especialistas em saúde. Nos últimos meses, pelo menos cinco pessoas morreram enquanto treinavam em academias, o que motivou a discussão de novas medidas de segurança para estabelecimentos do setor.
A proposta em análise prevê a criação de um selo de certificação para academias, que atestaria o cumprimento de normas de segurança, a presença de profissionais capacitados e a existência de equipamentos adequados para atendimento de emergência. A medida também reforça a necessidade de cumprimento de regras já previstas em lei, mas que, segundo fiscalizações, não estavam sendo devidamente observadas por alguns estabelecimentos.
Órgãos de defesa do consumidor destacam que as academias devem estar preparadas para lidar com situações de emergência, garantindo estrutura mínima para atendimento imediato em casos de mal súbito.
A promotora do Departamento Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon), Ann Celly Sampaio, afirma que as normas já existem, mas precisam ser efetivamente cumpridas.
“Na verdade, a recomendação só diz o que a lei determina, o que já era para ser cumprido”, destacou.
Segundo ela, fiscalizações anteriores já identificaram falhas no cumprimento dessas exigências por parte de algumas academias.
Entre os requisitos cobrados estão a presença de profissionais treinados em primeiros socorros, disponibilidade de equipamentos básicos de emergência e capacitação contínua das equipes para atuação em situações críticas.
O Conselho Regional de Educação Física da 5ª Região (CREF-5) tem intensificado ações de capacitação para profissionais que atuam em academias, com foco na resposta rápida a ocorrências de emergência durante os treinos.
O presidente da Câmara de Saúde do CREF-5, Welton Godinho, explica que o objetivo é preparar os profissionais para agir de forma imediata em situações de risco.
“O CREF-5 dá algumas ações prévias a esses casos, capacitando os profissionais para que no momento em que um sinistro desse ocorra, a gente tenha profissionais lá capacitados”, afirmou.
Segundo ele, cursos são realizados com frequência quinzenal, incluindo treinamentos práticos com o uso de desfibriladores externos automáticos (DEA), equipamento essencial em casos de parada cardiorrespiratória.
A proposta em discussão também prevê a criação de um selo de certificação para academias, que indicaria ao público quais estabelecimentos seguem protocolos de segurança e contam com estrutura adequada para atendimento emergencial.
A iniciativa surge após registros de mortes durante atividades físicas em academias da capital cearense, situação que aumentou a cobrança por medidas mais rígidas de prevenção.
Além das exigências estruturais, especialistas reforçam que a responsabilidade também envolve os praticantes de atividade física, especialmente no que diz respeito à avaliação médica prévia.
O cardiologista Ulysses Cabral alerta que a ausência de sintomas não garante segurança durante a prática de exercícios intensos.
“O fato de não sentir nada, de ser assintomático, não quer dizer que você esteja totalmente apto àquele tipo de atividade, principalmente atividades de moderada a alta intensidade”, explicou.
Ele recomenda que iniciantes ou pessoas que percebam sinais como cansaço excessivo ou alterações cardíacas busquem avaliação médica antes de iniciar ou intensificar treinos.
“É importante fazer uma avaliação com o seu cardiologista, que vai lhe proporcionar os exames adequados para uma avaliação mais completa”, orientou.