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Laudo aponta transtorno psicótico em garçom acusado de matar vereador em Camocim, no Ceará

Perícia concluiu que acusado não tinha capacidade de entender caráter ilícito do crime no momento do ataque

Raflézia Sousa
Por: Raflézia Sousa Fonte: Portal GCMAIS
09/05/2026 às 09h20
Laudo aponta transtorno psicótico em garçom acusado de matar vereador em Camocim, no Ceará
Foto: Reprodução

Um laudo da Perícia Forense do Estado do Ceará apontou que o garçom Antônio Charlan Rocha Souza, preso pelo assassinato do vereador César Veras, sofria de transtorno psicótico no momento do crime ocorrido em Camocim, no litoral norte do Ceará. O documento concluiu que ele era “inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato” durante o ataque registrado em abril de 2024.

O caso aconteceu em um restaurante da cidade e terminou com a morte do vereador César Araújo Veras, de 51 anos. Outras duas pessoas também ficaram feridas: o empresário Euclides Oliveira Neto, dono do estabelecimento, e o cliente Fábio Roberto de Castro Sousa.

Segundo a perícia, Antônio Charlan apresenta quadro de “Transtorno psicótico não orgânico não especificado”, classificado pelo CID-10 como F29. O laudo integra um Incidente de Insanidade Mental solicitado pela defesa do acusado, que busca o reconhecimento da inimputabilidade penal.

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Laudo sobre ataque cita delírios e alucinações

De acordo com o documento da Perícia Forense, o acusado apresentava prejuízo total das capacidades de entendimento e autodeterminação no período do crime.

O laudo afirma que o ataque estaria relacionado a um quadro psicótico marcado por delírios e alucinações. Conforme o relato apresentado pelos peritos, Charlan disse ter ouvido uma voz masculina incentivando a ação criminosa após pegar uma faca na cozinha do restaurante.

Segundo o documento, o garçom relatou ainda ter sentido “uma enorme força externa” controlando suas ações e afirmou não se lembrar do momento exato em que esfaqueou as vítimas.

A perícia também registra que ele disse ter retomado a consciência já dentro do carro, enquanto fugia do local, com sangue nas mãos e a faca utilizada no ataque.

Família do vereador morto questiona conclusões do laudo

Após a entrega do documento, a Justiça abriu prazo para manifestação da defesa, do Ministério Público do Ceará (MPCE) e da assistência de acusação.

Em nota, o advogado da família do vereador, Leandro Vasques, afirmou reconhecer o trabalho técnico da perícia, mas defendeu aprofundamento das investigações sobre o estado mental do acusado.

“O próprio laudo corrobora a elevada periculosidade do réu”, declarou o advogado, ao afirmar que o acusado não teria condições de conviver em sociedade, afirma Vasques.

O defensor também reforçou que a família busca um desfecho judicial que preserve a memória do vereador e garanta segurança coletiva.

Polícia investigou possível motivação ligada ao trabalho

Conforme o inquérito da Polícia Civil, uma das linhas investigadas apontava que o garçom poderia ter cometido o crime motivado por suposto assédio moral sofrido no ambiente de trabalho.

Dados extraídos do celular do acusado mostraram pesquisas relacionadas a conflitos trabalhistas, pedidos de demissão e conteúdos ligados à tristeza e melancolia.

As investigações também apontaram que Charlan trabalhava havia 13 anos no restaurante e conhecia todas as vítimas.

Imagens de câmeras de segurança anexadas ao inquérito mostram o acusado próximo da faca utilizada no crime horas antes do ataque. Pouco depois, ele aparece pegando o objeto e iniciando as agressões contra o vereador e os outros dois homens presentes no restaurante.

O Ministério Público denunciou Antônio Charlan por homicídio e dupla tentativa de homicídio, sustentando que o ataque ocorreu de forma que impossibilitou a defesa das vítimas.