
Um laudo da Perícia Forense do Estado do Ceará apontou que o garçom Antônio Charlan Rocha Souza, preso pelo assassinato do vereador César Veras, sofria de transtorno psicótico no momento do crime ocorrido em Camocim, no litoral norte do Ceará. O documento concluiu que ele era “inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato” durante o ataque registrado em abril de 2024.
O caso aconteceu em um restaurante da cidade e terminou com a morte do vereador César Araújo Veras, de 51 anos. Outras duas pessoas também ficaram feridas: o empresário Euclides Oliveira Neto, dono do estabelecimento, e o cliente Fábio Roberto de Castro Sousa.
Segundo a perícia, Antônio Charlan apresenta quadro de “Transtorno psicótico não orgânico não especificado”, classificado pelo CID-10 como F29. O laudo integra um Incidente de Insanidade Mental solicitado pela defesa do acusado, que busca o reconhecimento da inimputabilidade penal.
De acordo com o documento da Perícia Forense, o acusado apresentava prejuízo total das capacidades de entendimento e autodeterminação no período do crime.
O laudo afirma que o ataque estaria relacionado a um quadro psicótico marcado por delírios e alucinações. Conforme o relato apresentado pelos peritos, Charlan disse ter ouvido uma voz masculina incentivando a ação criminosa após pegar uma faca na cozinha do restaurante.
Segundo o documento, o garçom relatou ainda ter sentido “uma enorme força externa” controlando suas ações e afirmou não se lembrar do momento exato em que esfaqueou as vítimas.
A perícia também registra que ele disse ter retomado a consciência já dentro do carro, enquanto fugia do local, com sangue nas mãos e a faca utilizada no ataque.
Após a entrega do documento, a Justiça abriu prazo para manifestação da defesa, do Ministério Público do Ceará (MPCE) e da assistência de acusação.
Em nota, o advogado da família do vereador, Leandro Vasques, afirmou reconhecer o trabalho técnico da perícia, mas defendeu aprofundamento das investigações sobre o estado mental do acusado.
“O próprio laudo corrobora a elevada periculosidade do réu”, declarou o advogado, ao afirmar que o acusado não teria condições de conviver em sociedade, afirma Vasques.
O defensor também reforçou que a família busca um desfecho judicial que preserve a memória do vereador e garanta segurança coletiva.
Conforme o inquérito da Polícia Civil, uma das linhas investigadas apontava que o garçom poderia ter cometido o crime motivado por suposto assédio moral sofrido no ambiente de trabalho.
Dados extraídos do celular do acusado mostraram pesquisas relacionadas a conflitos trabalhistas, pedidos de demissão e conteúdos ligados à tristeza e melancolia.
As investigações também apontaram que Charlan trabalhava havia 13 anos no restaurante e conhecia todas as vítimas.
Imagens de câmeras de segurança anexadas ao inquérito mostram o acusado próximo da faca utilizada no crime horas antes do ataque. Pouco depois, ele aparece pegando o objeto e iniciando as agressões contra o vereador e os outros dois homens presentes no restaurante.
O Ministério Público denunciou Antônio Charlan por homicídio e dupla tentativa de homicídio, sustentando que o ataque ocorreu de forma que impossibilitou a defesa das vítimas.