
Uma técnica em enfermagem, de 33 anos, acusa o então companheiro, um músico e ex-servidor da Câmara Municipal de Vereadores de Fortaleza, por agressões e atropelamento, na capital cearense. A vítima quebrou dedos, teve luxação no punho e sofreu outros ferimentos pelo corpo .
A Polícia Civil do Ceará (PCCE) informou, em nota, que investiga as circunstâncias de uma ocorrência de violência doméstica e familiar contra a mulher, registrada no dia 18 de abril deste ano, no bairro Joaquim Távora - Área Integrada de Segurança Pública 22 (AIS 22) de Fortaleza. A defesa de Andrew Jackson Davis Mesquita Souza não quis comentar a denúncia e a investigação policial contra o músico.
Segundo a Polícia Civil, a vítima registrou um Boletim de Ocorrência (BO) e solicitou uma medida protetiva de urgência e acompanhamento por parte do Grupo de Apoio às Vítimas de Violência (GAVV) da Polícia Militar do Ceará (PMCE). A 2ª Delegacia de Defesa da Mulher (2ª DDM) investiga o caso.
O casal estava junto há 9 anos. De acordo com o Boletim de Ocorrência feito pela vítima, obtido pela TV Verdes Mares, as discussões entre o casal iniciaram na noite de 17 de abril. Naquela noite, a mulher chegou em casa e viu o marido com bebidas alcoólicas e o questionou diante da promessa que ele fez de que não beberia.
O homem teria saído de casa e se dirigido para um posto de gasolina, para onde a mulher também foi logo em seguida. No local, o músico teria proferido ofensas contra ela - mas sem agressões físicas.
Os dois teriam voltado para a residência. Porém, depois de a mulher entrar em casa, Andrew entrou novamente no carro e seguiu para um bar no bairro Joaquim Távora, na capital cearense. A técnica em enfermagem disse aos policiais que foi ao encontro do homem e, chegando ao local, puxou os cabelos do companheiro, retomando a briga.
Ele estava acompanhado de um amigo e de duas mulheres. O acusado teria acusado ela de manter relações sexuais com colegas dele, de ir trabalhar sem roupas íntimas para atrair médicos e de fazer “marquinhas de bíquini” para “seduzir machos”.
Depois das ofensas, o suspeito teria desferido um tapa no rosto da mulher e puxado os cabelos da vítima - momento em que uma testemunha interveio na discussão.
A mulher teria subido na motocicleta e deixado o local. Enquanto o homem teria entrado no carro e seguido na mesma direção que ela. Neste momento, os dois saíram trocando ofensas. Em determinado momento, a vítima teria colocado a moto na frente do carro, quando o agressor jogou o automóvel contra o veículo em que ela estava.
A vítima caiu no chão e sofreu diversas fraturas pelo corpo. Segundo ela, mesmo após ela estar caída, o homem ainda tentou jogar o carro para cima dela. Então, ela teria subido em um carro estacionado com o objetivo de se proteger.
Nesse momento, um morador teria saído de uma residência e prestado auxílio à vítima, enquanto Andrew teria tentado avançar com o veículo em direção à declarante mais uma vez. Sem sucesso, ele teria descido do carro e discutido com o homem que ajudou a denunciante e saído do local.
A mulher contou à Polícia que populares acionaram o Samu e a Polícia Militar. Também contou que, após atendimento médico, foi constatado que ela quebrou os dedos da mão direita, levou 10 pontos cirúrgicos na perna esquerda, teve luxação no punho da mão esquerda e escoriações pelo corpo - incluindo costas, testas e pernas.
Na delegacia onde o caso foi registrado, a 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), o crime foi tipificado como lesão corporal. No entanto, a advogada da vítima, Dayane Vit, espera que a Polícia Civil mude a tipificação para tentativa de feminicídio. O objetivo, segundo ela, é “para acelerar as investigações e prendê-lo”.