
Os consumidores cearenses poderão ter um alívio na conta de luz a partir de julho, após uma nova decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A medida surge poucos meses depois do reajuste tarifário aplicado pela Enel Ceará, que elevou o valor da energia elétrica no estado.
Atualmente, a tarifa de energia no Ceará já registra aumento médio de 5,78%, percentual aprovado pela Aneel e autorizado para aplicação nas contas emitidas pela concessionária. Apesar disso, a agência reguladora aprovou agora um mecanismo que prevê descontos futuros nas tarifas de 22 distribuidoras do país, incluindo a Enel Ceará.
O reajuste autorizado pela Aneel passou a valer após a revisão tarifária anual da Enel Ceará, distribuidora responsável pelo fornecimento de energia para cerca de 4,11 milhões de unidades consumidoras no estado.
Para os consumidores de baixa tensão (categoria que engloba residências e pequenos comércios) o aumento médio ficou em 4,67%. Já para consumidores de média e alta tensão, como indústrias e grandes empreendimentos, o reajuste médio chegou a 9,71%.
Em alguns casos, principalmente entre grandes consumidores industriais, o percentual pode alcançar 12,21%.
Os índices variam conforme o perfil do consumidor atendido pela distribuidora:
Segundo a Aneel, os principais fatores que pressionaram a revisão tarifária foram os custos com compra de energia, encargos setoriais, tributos e despesas ligadas à distribuição.
Os encargos setoriais correspondem a valores cobrados para financiar políticas públicas do setor elétrico brasileiro e compõem parte significativa da conta paga pelos consumidores.
Apesar da alta já aplicada nas tarifas, a nova medida aprovada pela Aneel poderá reduzir o valor cobrado dos consumidores cearenses nos próximos meses.
A agência reguladora aprovou as regras para redistribuir aproximadamente R$ 5,5 bilhões que serão usados para diminuir tarifas de energia em distribuidoras das regiões Norte e Nordeste, além de Mato Grosso e partes de Minas Gerais e Espírito Santo.
Os recursos são provenientes do chamado Uso de Bem Público (UBP), encargo pago pelas hidrelétricas à União pela utilização dos rios para geração de energia elétrica.
Com a Lei nº 15.235/2025, as geradoras passaram a poder antecipar o pagamento anual do UBP com desconto de 50%. Em contrapartida, os valores arrecadados serão revertidos em redução tarifária para consumidores atendidos pelas distribuidoras contempladas.
Das 34 hidrelétricas aptas a aderir ao mecanismo, 24 já assinaram acordo com a Aneel. Até o momento, a estimativa de arrecadação é de R$ 5,53 bilhões.
O percentual final do desconto dependerá do valor efetivamente arrecadado até julho. Pelas projeções da Aneel, os abatimentos médios poderão variar entre 4,51% e 5,81%.
Os cenários previstos são:
Arrecadação de R$ 4,5 bilhões: desconto médio de 5,81%;
Arrecadação de R$ 5 bilhões: redução média de 5,16%;
Arrecadação de R$ 5,5 bilhões: abatimento médio de 4,51%.