
O avanço dos casos de dengue no Ceará levou o Governo do Estado a reforçar as estratégias de vigilância epidemiológica e de apoio aos municípios. A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) intensificou o monitoramento da doença e ampliou as ações de prevenção e controle, especialmente em cidades das regiões Norte, Litoral Leste e Vale do Jaguaribe, que registraram aumento no número de notificações nas últimas semanas.
As medidas incluem reforço no diagnóstico laboratorial, apoio às equipes municipais de saúde, intensificação do combate ao mosquito Aedes aegypti e capacitação de profissionais para garantir a identificação precoce dos casos e o atendimento adequado aos pacientes.
Segundo a Secretaria da Saúde, o acompanhamento da situação epidemiológica está sendo realizado de forma contínua para identificar rapidamente mudanças no cenário da doença e orientar a adoção de medidas pelos municípios.
Uma das frentes de atuação envolve o fortalecimento do diagnóstico das arboviroses por meio do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen). A orientação é que as redes municipais ampliem a utilização do exame de RT-PCR, considerado o método de referência para confirmar casos de dengue.
Além de aumentar a precisão dos diagnósticos, a estratégia permite realizar a vigilância genômica do vírus, identificando quais sorotipos estão circulando no estado. De acordo com a Sesa, neste ano há predominância do sorotipo 2, cenário diferente do observado em anos anteriores, quando o sorotipo 1 era o mais frequente.
O monitoramento dos sorotipos auxilia as autoridades de saúde a acompanhar o comportamento da doença e a direcionar as estratégias de enfrentamento.
No combate ao vetor, o Governo do Ceará informou que está oferecendo suporte direto aos municípios com ações de controle do mosquito transmissor.
Entre as medidas adotadas estão a borrifação localizada em imóveis e, nos municípios que apresentam necessidade de intervenções mais intensas, o envio de veículos de Ultra Baixo Volume (UBV), conhecidos popularmente como carros fumacê.
Paralelamente às ações de campo, a Vigilância Epidemiológica promove treinamentos para profissionais das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). As capacitações têm como foco a notificação rápida dos casos suspeitos e a aplicação dos protocolos de manejo clínico definidos pelo Ministério da Saúde, contribuindo para um atendimento mais ágil e adequado aos pacientes.
Outra ferramenta utilizada pelo Estado é a plataforma IntegraSUS, que disponibiliza dados epidemiológicos atualizados para apoiar a tomada de decisão pelos gestores municipais.
Nos municípios que ainda não apresentam cenário considerado crítico, a Sesa envia cartas de alerta recomendando a adoção antecipada de medidas preventivas, com o objetivo de reduzir o risco de avanço da doença.
Segundo a Secretaria, o aumento mais tardio dos casos em 2026 está relacionado a diferentes fatores, entre eles a permanência do período chuvoso até o mês de julho, alternado com dias de temperaturas elevadas, além da mobilidade da população e do próprio comportamento cíclico da dengue.