
A Câmara dos Deputados registrou, em 2025, um total de R$ 1,3 bilhão em emendas de comissão sem identificação dos parlamentares que indicaram os beneficiários dos recursos. O valor foi apontado por estudo da organização Transparência Brasil. Nos últimos dias, o Supremo Tribunal Federal (STF) bloqueou recursos de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (Republicanos-MG).
A prática funciona com a indicação das emendas assinadas por líderes partidários. Entre os partidos em que foi observada a maior quantia de valor repassado estão o PP, com R$ 427,7 milhões; o União Brasil, com R$ 288,7 milhões; e o PL, com R$ 254,3 milhões. Na sequência, aparecem Republicanos (R$ 218,5 milhões), Avante (R$ 30 milhões), Solidariedade (R$ 22 milhões) e Podemos (R$ 19 milhões).
A indicação de emendas de comissão por parte dos líderes partidários está em lei aprovada no Parlamento em 2025, em acordo entre os Três Poderes, após o STF suspender o pagamento de emendas por falta de transparência.
Segundo a organização Transparência Brasil, o montante registrado em 2015 representa 16% das indicações feitas pelas comissões da Casa no ano. O levantamento aponta ainda que a prática reproduz a lógica do extinto “orçamento secreto”.
De acordo com o levantamento, os documentos públicos da Câmara registram apenas a liderança partidária como autora das indicações, sem informar quais deputados definiram o destino final das verbas.