
Quatro suspeitos de sequestrar uma passageira de carro de aplicativo em Fortaleza tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça. Rayane da Silva Queiroz foi a única liberada após audiência de custódia realizada no último sábado (11). O crime aconteceu no bairro Meireles, na capital, na quinta-feira (9).
A vítima foi sequestrada após sair de uma casa de shows e entrar em um carro de aplicativo. Ela também foi mantida em cárcere privado e roubada pelos suspeitos, apontou o processo judicial ao qual o g1 teve acesso.
Rayane foi colocada em liberdade com as seguintes medidas cautelares:
O juiz da audiência de custódia explicou que "não há, até o presente momento, qualquer elemento concreto indicando que Rayane tenha participado diretamente da abordagem da vítima, de sua privação de liberdade ou dos atos de violência e grave ameaça empregados na execução do delito".
"Sua atuação, em tese, restringe-se ao recebimento, saque e posterior entrega de parte dos valores obtidos com a prática criminosa, circunstância que, isoladamente considerada e à luz dos elementos atualmente disponíveis, não evidencia a necessidade da imposição da medida extrema de segregação cautelar, sem prejuízo de ulterior reavaliação caso sobrevenham novos elementos probatórios", justificou o magistrado.
O motorista do veículo e outras quatro pessoas foram presas em flagrante pela Polícia Civil poucas horas após o crime. A quadrilha realizou empréstimos e transferências via Pix utilizando o celular da vítima enquanto a mantinha sob vigilância e ameaças de morte em um cativeiro.
O crime aconteceu por volta das 23h50 da quinta-feira (9). A vítima solicitou uma corrida pela plataforma Uber após sair de um estabelecimento na Avenida Desembargador Moreira.
Ela embarcou em um automóvel conduzido por Matheus Bandeira Fontoura. De acordo com a investigação policial, logo após o embarque, o motorista "alterou deliberadamente o percurso da viagem". Ele reduziu a velocidade do carro em um local combinado com comparsas. Nesse momento, dois criminosos entraram no carro.
Matheus estava cadastrado como motorista regular da plataforma Uber. Em nota, a empresa disse que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, na forma da lei. "O motorista teve a conta desativada da plataforma. Todas as viagens na Uber são cobertas por um seguro e, em parceria com o MeToo Brasil, a plataforma conta com um canal de suporte psicológico, que foi disponibilizado à vítima".
O g1 entrou em contato com os advogados de Matheus Bandeira. Em nota, a defesa disse que "sustenta a absoluta inocência de Matheus Bandeira Fontoura e esclarece que os elementos que demonstram sua ausência de participação criminosa, bem como as circunstâncias que indicam ter ele próprio sido vítima da atuação dos demais envolvidos, serão oportunamente apresentados e produzidos perante o Poder Judiciário, no momento processual adequado".
"É importante destacar que Matheus possui 30 anos de idade, é primário, possui bons antecedentes, jamais respondeu a qualquer processo criminal, sempre exerceu atividade lícita e construiu, ao longo de sua vida, uma trajetória pautada pelo trabalho, pelo respeito às leis e por conduta pessoal ilibada", diz o texto.
Armados com uma suposta arma de fogo, os assaltantes assumiram o controle do veículo, encapuzaram a passageira e exigiram acesso ao celular e às contas bancárias dela. Na sequência, a mulher foi levada para um imóvel utilizado como cativeiro, onde passou a sofrer ameaças de morte.
Enquanto a vítima estava rendida, os criminosos realizaram diversas movimentações financeiras. O grupo fez transferências eletrônicas, contratou empréstimos bancários e utilizou os cartões da passageira.
Conforme a Secretaria da Segurança Pública, o grupo foi conduzido para delegacia, onde foi autuado pelos crimes de roubo com restrição de liberdade, extorsão qualificada e associação criminosa. O homem de 21 anos também foi autuado por tráfico de drogas. Na casa, um outro homem, de 27 anos, foi localizado em posse de entorpecentes e também foi autuado por tráfico de drogas.
Por último, a quinta suspeita, de 25 anos, foi localizada e autuada por lavagem de dinheiro por ter fornecido a própria conta bancária para receber uma parte dos valores subtraídos após a ação criminosa. As prisões em flagrante foram convertidas em preventivas e todos seguem à disposição da Justiça.